segunda-feira, 27 de abril de 2009

MANIFESTO ROSACRUZ - AMORC.


Tive conhecimento desse Manifesto através de um Grande e Querido Amigo O Ivanildo carinhosamente chamado de por de Ivan e "Tela das Ilusões"
É com profundo prazer que deixo aqui para a apreciação de todos, bem como para a Consciêntização tão necessaria para a Salavação da Raça Humana e de do Planeta Terra...
Boa Leitura!




MANIFESTO

Positio

Fraternitatis Rosae Crucis






Salutem Punctis Trianguli!


Neste primeiro ano do terceiro milênio, sob o olhar do Deus de todos os homens e de toda a vida, nós, deputados do Conselho Supremo da Fraternidade Rosacruz, julgamos que era chegada a hora de acender a quarta Chama R+C, a fim de revelar nossa posição quanto a situação atual da Humanidade e trazer à luz as ameaças que pesam sobre ela, mas também as esperanças que nela depositamos

Assim seja!
Ad Rosam per Crucem

Ad Crucem per Rosam

Antiquus Mysticusque Ordo Rosae Crucis


MANIFESTO
Positio
Fraternitatis Rosae Crucis


© agosto 2001 Ordem Rosacruz, AMORC

Esta obra é a continuidade dos Manifestos Rosacruzes publicados no século XVII em que a Ordem Rosacruz torna pública sua posição diante do estado atual do mundo, e constitui um elo de ligação entre os rosacruzes do passado, do presente e do futuro

Assim sendo, este Manifesto não é destinado unicamente aos Rosacruzes, mas deve ser difundido amplamente para que sua mensagem seja conhecida pelo maior número de pessoas possível. Por isso, a Ordem Rosacruz, AMORC autoriza a sua reprodução e divulgação pedindo apenas que lhe seja creditada a autoria

Este pronunciamento internacional publicado pela Suprema
Grande Loja da Ordem Rosacruz, AMORC,

foi traduzido e editado na:


Grande Loja da Jurisdição de Língua Portuguesa.

Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba – Pr

Caixa Postal 4450 – 82501-970

Fone (0**41)351-3000 – FAX (0**41)351-3065

www.amorc.org.br


PRÓLOGO


Caro leitor:
Por não podermos nos dirigir diretamente a você, fazemo-lo por meio deste Manifesto. Esperamos que tome conhecimento dele sem preconceito e que ele suscite em você ao menos uma reflexão. Não queremos convencê-lo da legitimidade desta Positio, mas partilhá-la livremente com você. Naturalmente, esperamos que ela encontre um eco favorável em sua alma. Caso contrário, apelamos à sua tolerância…




Em 1623, os rosacruzes afixaram nos muros de Paris cartazes ao mesmo tempo misteriosos e intrigantes. Eis o seu texto:

“Nós, deputados do Colégio principal da Rosa+Cruz, demoramo-nos visível e invisivelmente nesta cidade pela graça do Altíssimo, para O Qual se volta o coração dos Justos. Mostramos e ensinamos a falar sem livros nem sinais, a falar todas as espécies de línguas dos países em que desejamos estar para tirar os homens, nossos semelhantes, de erro de morte

Se alguém quiser nos ver somente por curiosidade, jamais se comunicará conosco, mas, se a vontade o levar realmente a se inscrever no registro de nossa Confraternidade, nós, que julgamos pensamentos, faremos com que ele veja a verdade de nossas promessas; tanto é assim que não estabelecemos o local de nossa morada nesta cidade, visto que os pensamentos unidos à real vontade do leitor serão capazes de nos fazer conhecê-lo, e ele a nós”

Alguns anos antes, os rosacruzes já se haviam dado a conhecer publicando três Manifestos deste então célebres: Fama Fraternitatis, Confessio Fraternitatis e O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz, que apareceram respectivamente em 1614, 1615 e 1616. Na época, esses três Manifestos suscitaram numerosas reações, não somente da parte dos meios intelectuais, mas também das autoridades políticas e religiosas. Entre 1614 e 1620, cerca de 400 panfletos, manuscritos e livros foram publicados, alguns para elogiá-los, outros para os denegrir. De qualquer forma, seu aparecimento constituiu um evento histórico muito importante, especialmente no mundo do esoterismo

Fama Fraternitatis foi dirigido às autoridades políticas e religiosas, bem como aos cientistas da época. Ao mesmo tempo em que fazia um balanço talvez negativo da situação geral na Europa, revelou a existência da Ordem da Rosa+Cruz através da história alegórica de Christian Rosenkreutz (1378-1484), desde o périplo que o levara pelo mundo inteiro antes de dar vida à Fraternidade Rosacruz, até à descoberta de seu túmulo. Esse Manifesto já fazia apelo a uma Reforma Universal

Confessio Fraternitatis completou o primeiro Manifesto, por um lado insistindo na necessidade do ser humano e a sociedade se regenerarem e, por outro lado, indicando que a Fraternidade dos Rosacruzes possuía uma ciência filosófica que permitia realizar essa Regeneração. Nisso ela se dirigia antes de tudo aos buscadores desejosos de participar nos trabalhos da Ordem e promover a felicidade da Humanidade

O aspecto profético desse texto intrigou muito os eruditos da época

O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz, num estilo bastante diferente dos dois primeiros Manifestos, relatou uma viagem iniciática que representava a busca da Iluminação. Essa viagem de sete dias se desenrolava em grande parte num misterioso castelo onde deviam ser celebradas as bodas de um rei e de uma rainha. Em termos simbólicos, o Casamento Alquímico descrevia a jornada espiritual que leva todo Iniciado a realizar a união entre sua alma (a esposa) e Deus (o esposo)

Como sublinharam historiadores, pensadores e filósofos contemporâneos, a publicação desses três Manifestos não foi nem insignificante nem inoportuna. Ocorreu numa época em que a Europa atravessava uma crise existencial muito importante: estava dividida no plano político e se dilacerava em conflitos de interesses econômicos; as guerras de religiões semeavam desgraça e desolação, mesmo no seio das famílias; a ciência tomava impulso e já assumia uma orientação materialista; as condições de vida eram miseráveis para a maioria das pessoas; a sociedade da época estava em plena mutação, mas faltavam-lhe referências para evoluir no sentido do interesse geral...

A História se repete e põe regularmente em cena os mesmos eventos, mas numa escala geralmente mais vasta. Assim, perto de quatro séculos após a publicação dos três primeiros Manifestos, constatamos que o mundo inteiro, mais estritamente a Europa, enfrenta uma crise existencial sem precedentes, em todos os campos de sua atividade: política, econômica, científica, tecnológica, religiosa, moral, artística, etc. Por outro lado, nosso planeta, isto é, nosso campo de vida e evolução, está gravemente ameaçado, o que justifica a importância de uma ciência relativamente recente, qual seja, a ecologia. Seguramente, a Humanidade atual não está bem. Por isso, fiéis à nossa Tradição e ao nosso Ideal, nós, Rosacruzes dos tempos atuais, julgamos que seria útil darmos testemunho disso através desta Positio

Positio Fraternitatis Rosae Crucis não é um ensaio escatológico.
De maneira nenhuma é apocalíptico.
Como vimos de dizer, seu objetivo é transmitir nossa posição quanto ao estado do mundo atual e pôr em evidência o que nos parece preocupante para o seu futuro. Como já o fizeram em sua época nossos irmãos do passado, desejamos também apelar para mais humanismo e espiritualidade, pois temos a convicção de que o individualismo e o materialismo que prevalecem atualmente nas sociedades modernas não podem trazer aos homens a felicidade a que eles legitimamente aspiram. Esta Positio sem dúvida parecerá alarmista para alguns, mas “não há surdo pior do que aquele que não quer ouvir e cego pior do que aquele que não quer ver”

A Humanidade atual está ao mesmo tempo perturbada e desamparada. Os imensos progressos que ela realizou no plano material não lhe trouxeram verdadeiramente felicidade e não lhe permitem entrever o futuro com serenidade: guerras, fome, epidemias, catástrofes ecológicas, crises sociais, atentados contra as liberdades fundamentais, são outros tantos flagelos que contradizem a esperança que o Ser Humano depositara em seu futuro. Por isso dirigimos esta mensagem a quem a queira de bom grado ouvir. Ela segue a linha daquela que os rosacruzes do século XVII exprimiram através dos três primeiros Manifestos, mas, para compreendê-la, é preciso ler o grande livro da História com realismo e dirigir um olhar lúcido para a Humanidade, este edifício feito de homens e mulheres em via de evolução

POSITIO R+C


O Ser Humano evolui através do Tempo, como o faz, aliás, tudo aquilo que participa no seu campo de vida, bem como o próprio Universo. Aí está uma característica de tudo o que existe no mundo manifesto. Mas consideramos que a evolução do Ser Humano não se limita aos aspectos materiais de sua existência, convictos que estamos de que ele tem uma alma, ou seja, uma dimensão espiritual. Conforme pensamos, é ela que dele faz um ser consciente, capaz de refletir sobre a sua origem e o seu destino. Por isso consideramos a evolução da Humanidade como um fim, a Espiritualidade como um meio e o Tempo como um revelador

A História não é tão inteligível pelos eventos que a geram, ou que ela gera, quanto pelos elos que os unem. Por outro lado, ela tem um sentido, o que a maioria dos historiadores atuais de bom grado admite. Para compreendê-la, é preciso então levar em consideração os eventos, é verdade que como elementos isolados, mas também e sobretudo como elementos de um todo. Com efeito, consideramos que um fato só é verdadeiramente histórico com relação ao conjunto a que pertence. Dissociar os dois, ou fazer de sua dissociação uma moral da História, constitui uma fraude intelectual. Assim é que há proximidades, justaposições, coincidências ou concomitâncias que nada devem ao acaso

Como dissemos no Prólogo, vemos uma similitude entre a situação atual do mundo e a da Europa no século XVII. Aquilo que alguns já qualificam como pós-modernidade, acarretou efeitos comparáveis em numerosos campos e, infelizmente, provocou certa dege­nerescência da Humanidade. Mas pensamos que essa degenerescência é apenas temporária e que acabará numa Regeneração individual e coletiva, na condição, não obstante, de que os homens dêem uma direção humanista e espiritualista ao seu futuro. Se não o fizerem, estarão de fato se expondo a problemas muito mais graves do que aqueles que estão enfrentando atualmente

Com base na nossa Ontologia, consideramos que o Ser Humano é a criatura mais evoluída dentre as que vivem na Terra, mesmo se às vezes se comporta de maneira indigna no tocante a esse status. Ele ocupa essa situação privilegiada porque é dotado de autoconsciência e de livre-arbítrio. É então capaz de pensar e orientar sua existência por suas próprias escolhas. Acreditamos também que todo ser humano é uma célula elementar de um único e o mesmo corpo, o corpo da Humanidade inteira. Em virtude deste princípio, nossa concepção do Humanismo consiste em afirmar que todos os homens deveriam ter os mesmos direitos, gozar do mesmo respeito e desfrutar a mesma liberdade, independentemente do país onde nascessem e daquele onde vivessem

Quanto à nossa concepção da Espiritualidade, está fundada, por um lado, na convicção de que Deus existe como Inteligência absoluta que criou o Universo e tudo o que ele contém e, por outro lado, na certeza de que o Ser Humano tem uma alma que Dele emana. Melhor ainda, consideramos que Deus Se manifesta em toda a Criação através das leis que o Ser Humano deve estudar, compreender e respeitar, para sua maior felicidade. De fato, consideramos que a Humanidade evolui para a compreensão do Plano divino e está destinada a criar na Terra uma Sociedade ideal. Esse humanismo espiritualista pode parecer utópico, mas unimo-nos a Platão, que declarou em A República: “A Utopia é a forma de Sociedade ideal. Talvez seja impossível de realizar na Terra, mas é nela que um sábio deve depositar todas as suas esperanças”

Neste período de transição da História, a Regeneração da Humanidade nos parece mais que nunca possível em virtude da convergência das consciências, da generalização das trocas internacionais, da expansão da mestiçagem cultural, da universalização da informação, bem como da interdisciplinaridade que existe desde já entre os diferentes ramos do saber. Mas consideramos que essa Regeneração, que deve funcionar tanto no plano individual quanto no coletivo, só se pode fazer privilegiando-se o ecletismo e seu corolário, a tolerância. Com efeito, nenhuma instituição política, nenhuma religião, nenhuma filosofia, nenhuma ciência detém o monopólio da Verdade. Isto posto, podemos nos aproximar dessa Regeneração colocando em comum o que essas instituições têm de mais nobre a oferecer aos seres humanos, o que redunda em buscar a unidade através da diversidade

Cedo ou tarde, as vicissitudes da existência levam o Ser Humano a se interrogar quanto à razão de sua presença na Terra. Essa busca de uma justificativa é natural, pois é parte Integrante da alma humana e constitui o fundamento de sua evolução. Por outro lado, os eventos que balizam a História não se justificam somente pelo fato de que existem; eles postulam uma razão que lhes é exterior. Pensamos que essa própria razão se integra a um processo espiritual que incita o Ser Humano a se questionar quanto aos mistérios da vida, donde o interesse que ele algum dia atribui ao misticismo e à “busca da Verdade”. Se essa busca é natural, acrescentamos que o Ser Humano é impelido à esperança e ao otimismo por uma injunção de sua natureza divina e por um instinto biológico de sobrevivência. Nisso, a aspiração à Transcendência aparece como uma exigência vital da espécie humana

No tocante à política, consideramos que é imperativo que ela se renove. Dentre os grandes modelos do século XX, o marxismo-leninismo e o nacional-socialismo, baseados em postulados sociais pretensamente definitivos, levaram a uma regressão da razão e, finalmente, à barbárie. Os determinismos correlatos com essas duas ideologias totalitárias contrastaram fatalmente com a necessidade de autodeterminação do Ser Humano, traindo assim seu direito à liberdade e escrevendo, no mesmo golpe, algumas das páginas mais negras da História. E a História desqualificou a ambas, esperemos que para todo o sempre. Seja o que for que se pense disso, os sistemas políticos baseados num monologismo, isto é, num pensamento único, têm com freqüência em comum o fato de imporem ao Ser Humano “uma doutrina da salvação” que se presume libertá-lo de sua condição imperfeita e elevá-lo a um status “paradisíaco”. Por outro lado, a maioria deles não pede ao cidadão que reflita e sim que creia, o que os assemelha, na realidade, a “religiões laicas”

Ao contrário, correntes de pensamento como o rosacrucianismo não são monológicas e sim dialógicas e pluralistas. Em outras palavras, encorajam o diálogo com outrem e favorecem as relações humanas. Paralelamente, aceitam a pluralidade de opiniões e a diversidade dos comportamentos. Tais correntes se nutrem, portanto, de trocas, de interações e mesmo de contradições, coisa que as ideologias totalitárias proíbem e se proíbem. É, aliás, por esta razão que o Pensamento Rosacruz sempre foi rejeitado pelos totalitarismos, qualquer que fosse a sua natureza. Desde suas origens, nossa Fraternidade preconiza o direito individual de forjar suas idéias e expressá-las de maneira totalmente livre. Nisso, os rosacruzes não são necessariamente livres-pensadores, mas todos são pensadores livres

No estado atual do mundo, parece-nos que a democracia continua a ser a melhor forma de governo, o que não exclui certas fraquezas. Com efeito, sendo toda verdadeira democracia baseada na liberdade de opinião e de expressão, nela se encontram, geralmente, uma pluralidade de tendências, tanto entre os governantes como entre os governados. Infelizmente, essa pluralidade com freqüência gera divisão, com todos os conflitos que disso resultam. Assim é que a maioria dos Estados democráticos manifesta facções que se opõem continuamente e de maneira quase sistemática. Essas facções políticas, gravitando o mais das vezes em torno de uma maioria e de uma oposição, não nos parecem mais adaptadas às sociedades modernas e desaceleram a Regeneração da Humanidade. O ideal nessa matéria seria que cada nação favorecesse a emergência de um governo que reunisse, todas as tendências amalgamadas, as personalidades mais aptas a dirigir os negócios do Estado. Por extensão, fazemos votos de que um dia exista um Governo mundial representativo de todas as nações, do qual a ONU é apenas um embrião

No tocante à economia, consideramos que ela está comple­tamente à deriva. Todo mundo pode constatar que ela condiciona cada vez mais a atividade humana e é cada vez mais normativa. Hoje em dia ela assume a forma de redes estruturadas muito influentes e, portanto, dirigistas, quaisquer que sejam suas aparências. Por outro lado, mais que nunca ela funciona a partir de valores determinados que se pretende quantificáveis: custo de produção, limiar de rentabilidade, avaliação do lucro, duração do trabalho, etc. Esses valores são consubstanciais com o sistema econômico atual e lhe fornecem os meios de alcançar os fins que persegue. Infelizmente, esses fins são fundamentalmente materialistas, porque baseados no lucro e no enriquecimento excessivo. Assim é que se chegou a colocar o Ser Humano a serviço da economia, quando essa economia é que deveria ser colocada ao serviço do Ser Humano

Em nossos dias, todas as nações são tributárias de uma economia mundial que se pode qualificar como totalitária. Esse totalitarismo econômico não corresponde às mais elementares necessidades de centenas de milhões de pessoas, ao passo que as massas monetárias nunca foram tão colossais no plano mundial. Isto significa que as riquezas produzidas pelos homens só beneficiam uma minoria deles, o que deploramos. De fato, constatamos que a defasagem não cessa de se ampliar entre os países mais ricos e os países mais pobres. Pode-se observar o mesmo fenômeno em cada país, entre os mais desprovidos e os mais favorecidos. Consideramos que assim é porque a economia se tornou especulativa demais e porque ela alimenta mercados e interesses que são mais virtuais que reais

Evidentemente, a economia só cumprirá seu papel quando for colocada a serviço de todos os seres humanos. Isto supõe que se venha a considerar o dinheiro pelo que ele deve ser, a saber, um meio de troca e uma energia destinada a proporcionar a cada um aquilo de que ele precisa para viver feliz no plano material. Nisso estamos convictos de que o Ser Humano não está destinado a ser pobre e menos ainda miserável, mas, ao contrário, a dispor de tudo o que possa contribuir para o seu bem-estar, a fim de que possa elevar sua alma, com toda quietude, a planos superiores de consciência. A rigor, a economia deveria ser empregada de tal maneira que não houvesse mais pobres e que toda pessoa vivesse em boas condições materiais, pois isso é a base da dignidade humana. A pobreza não é uma fatalidade; não é tampouco o efeito de um Decreto divino. De maneira geral, resulta do egoísmo dos homens. Esperamos então que chegue o dia em que a economia esteja fundamentada na partilha e na consideração do bem comum. Não obstante, os recursos da Terra não são inesgotáveis e não podem ser partilhados ao infinito, de modo que, certamente, há de ser necessário regular os nascimentos, principalmente nos países superpovoados

Quanto à ciência, consideramos que ela chegou a uma fase particularmente crítica. É verdade que não se pode negar que ela evoluiu muito e permitiu à Humanidade realizar progressos consideráveis. Sem ela, os homens ainda estariam na idade da pedra. Mas, enquanto os gregos haviam elaborado uma concepção qualitativa da pesquisa científica, o século XVII provocou um verdadeiro sismo, instaurando a supremacia do quantitativo, o que não deixa de guardar relação com a evolução da economia. O mecanicismo, o racionalismo, o positivismo, etc., fizeram da consciência e da matéria dois campos bem distintos e reduziram todo fenômeno a uma entidade mensurável e desprovida de subjetividade. O como eliminou o porquê. Se é um fato que as pesquisas realizadas ao longo das últimas décadas resultaram em descobertas importantes, o ganho financeiro parece ter primado sobre o resto. E chegamos hoje ao ápice do materialismo científico.

Tornamo-nos escravos da ciência, tanto mais que não a submetemos à nossa vontade. Simples falhas tecnológicas podem hoje colocar em perigo as mais avançadas sociedades, o que prova que o Ser Humano criou um desequilíbrio entre o qualitativo e o quantitativo, mas também entre ele próprio e aquilo que criou. Os objetivos materialistas que ele persegue hoje em dia, através da pesquisa científica, acabaram extraviando seu espírito. Paralelamente, eles o afastaram de sua alma e do que nele há de mais divino. Essa excessiva racionalização da ciência é um perigo real que ameaça a Humanidade a médio e talvez mesmo a curto prazo. Com efeito, toda sociedade em que a matéria domina a consciência desenvolve o que há de menos nobre na natureza humana. Em virtude disso ela se condena a desaparecer prematuramente e em circunstâncias o mais das vezes trágicas

Em certa medida, a ciência tornou-se uma religião, mas uma religião materialista, o que é paradoxal. Fundada numa abordagem mecanicista do Universo, da Natureza e do próprio Ser Humano, ela tem seu próprio credo (“Só acreditar naquilo que veja”) e seu próprio dogma (“Nenhuma verdade fora dela”). Isto posto, observamos no entanto que as pesquisas que ela realiza sobre o como das coisas levam-na cada vez mais a se interrogar sobre o seu porquê, de modo que ela pouco a pouco toma consciência de seus limites e nisso começa a se juntar ao misticismo. Certos cientistas, ainda raros, é verdade, chegaram mesmo a propor a existência de Deus como postulado. É de se notar que a ciência e o misticismo estavam muito ligados na Antiguidade, a tal ponto que os cientistas eram místicos e vice-versa. É precisamente a reunificação desses dois meios de conhecimento que precisa ser realizada no decorrer das próximas décadas.

Tornou-se necessário repensar a questão do saber. Por exemplo, qual é o sentido real da reprodutibilidade de uma experiência? Uma proposição que não se confirme em todos os casos, será ela necessariamente falsa? Parece-nos urgente superarmos o dualismo racional estabelecido no século XVII, pois é nessa superação que reside a verdadeiro conhecimento. Nesta linha de pensamento, o fato de não se poder provar a existência de Deus não é suficiente para se afirmar que ele não existe.

A verdade pode ter várias faces; manter somente uma, em nome da racionalidade, é um insulto à razão. Além disso, pode-se verdadeiramente falar em racional e irracional? É a própria ciência racional, ela que crê no acaso? Parece-nos, com efeito, muito mais irracional acreditar nele do que não acreditar. Neste particular, devemos dizer que nossa Fraternidade sempre se opôs à noção comum do acaso, que ela considera uma solução de facilidade e uma fuga ante o real. Nele vemos o que a seu respeito disse Albert Einstein, a saber: “A Senda que Deus adota quando quer permanecer anônimo”

A evolução da ciência coloca também novos problemas nos planos ético e metafísico. Embora seja inegável que as pesquisas em genética permitiram fazer grandes progressos no tratamento de doenças a priori incuráveis, elas abriram caminho a manipulações que permitem criar seres humanos por clonagem. Este gênero de procriação só pode levar a um empobrecimento genético da espécie humana e à sua degenerescência. Além disso, ela supõe critérios de seleção inevitavelmente marcados pela subjetividade e apresenta, por conseguinte, riscos em matéria de eugenia. Por outro lado, a reprodução por clonagem só leva em conta a parte física e material do ser humano, sem atentar para o espírito nem para a alma.

Por isso consideramos que essa manipulação genética fere, não somente sua dignidade, mas também sua integridade mental, psíquica e espiritual. Nisso aderimos ao adágio, ciência sem consciência é a ruína da alma. Na História, a apropriação do Ser Humano pelo Ser Humano só deixou tristes lembranças. Parece-nos então perigoso permitir livre curso às experiências relativas à clonagem reprodutora do ser humano em particular e dos seres vivos em geral. Temos os mesmos receios a propósito das manipulações que tangem ao patrimônio genético dos animais como ao dos vegetais

Quanto à tecnologia, constatamos que ela também está em plena mutação. Os homens sempre procuraram fabricar ferramentas e máquinas para melhorar suas condições de vida e para serem mais eficazes em seu trabalho. Em seu aspecto mais positivo, esse desejo tinha originalmente três objetivos principais: permitir-lhes realizar coisas que não podiam fazer usando somente suas mãos; poupá-los do sofrimento e da fadiga; ganhar tempo. É preciso notar também que, durante séculos, para não dizer milênios, a tecnologia só foi empregada para ajudar ao Ser Humano em trabalhos manuais e atividades físicas, ao passo que em nossos dias ela o assiste ainda no plano intelectual. Por outro lado, por muito tempo ela se limitou a procedimentos mecânicos que requeriam a intervenção direta do Ser Humano e não ameaçavam ou pouco ameaçavam o ambiente

Desde então, a tecnologia se fez onipresente e constitui o coração das sociedades modernas, a ponto de que se tornou quase indispensável. Suas aplicações são múltiplas e ela passou a integrar procedimentos tanto mecânicos quanto elétricos, eletrônicos, de informática, etc. Infelizmente, toda medalha tem seu verso e as máquinas se tornaram um perigo para o próprio Ser Humano. Com efeito, embora elas fossem idealmente destinadas a ajudá-lo e a poupá-lo do sofrimento, chegaram ao ponto de substituí-lo. Por outro lado, não se pode negar que o desenvolvimento progressivo do maquinismo provocou certa desumanização da sociedade, no sentido de que reduziu consideravelmente os contatos humanos, entendendo-se aqui os contatos físicos e diretos. A isso acrescentam-se todas as formas de poluição que a industrialização gerou em muitos campos

O problema colocado atualmente pela tecnologia provém do fato de que ela evoluiu muito mais rápido do que a consciência humana. Consideramos também que é urgente que ela rompa com o modernismo atual e se torne um agente de humanismo. Para isso é imperativo recolocar o Ser Humano no centro da vida social, o que, em conformidade com o que dissemos a respeito da economia, implica recolocar a máquina a seu serviço. Essa perspectiva requer total reconsideração dos valores materialistas que condicionam a sociedade atual. Isso supõe, por conseguinte, que todos os homens voltem a se centrar em si mesmos e enfim compreendam que é preciso privilegiar a qualidade de vida e cessar essa corrida desenfreada contra o Tempo.

Ora isso só será possível se eles reaprenderem a viver em harmonia, não somente com a Natureza, mas também com eles próprios. O ideal seria que a tecnologia evoluísse de tal maneira que libertasse o Ser Humano das tarefas mais penosas e ao mesmo tempo lhe permitisse desabrochar harmoniosamente em contato com os outros

Quanto às grandes religiões, consideramos que elas manifestam atualmente dois movimentos contrários: um, centrípeto e, o outro, centrífugo. O primeiro consiste numa prática radical que se pode observar sob forma de integrismos no seio do cristianismo, do judaísmo, do islamismo ou do hinduísmo, entre outros. O segundo se traduz por um abandono de seu credo em geral e de seus dogmas em particular. O indivíduo não mais aceita manter-se na periferia de um sistema de crenças, mesmo que se trate de uma religião dita revelada.

Doravante, ele quer se colocar no centro de um sistema de pensamento resultante de sua própria experiência. Nisso, a aceitação dos dogmas religiosos não é mais automática. Os crentes adquiriram certo senso crítico a respeito das questões religiosas e a validade de suas convicções corresponde cada vez mais a uma validação pessoal. Onde a necessidade de Espiritualidade produziu outrora algumas religiões com forma arborescente (a forma de uma árvore bem enraizada em seu solo sócio-cultural, que elas aliás contribuíram para enriquecer), hoje ela toma a forma de uma estrutura em rizoma, feita de arbustos múltiplos e variados. Mas, o Espírito não sopra onde quer?

Assim é que aparecem hoje em dia, à margem ou no lugar das grandes religiões, grupos de afinidades, comunidades de idéias ou movimentos de pensamento, no seio dos quais as doutrinas, mais propostas que impostas, são admitidas por uma adesão voluntária. Independentemente da natureza intrínseca dessas comunidades, desses grupos ou desses movimentos, sua multiplicação traduz uma diversificação da busca espiritual. De maneira geral, consideramos que essa diversificação se deve ao fato de que as grandes religiões, que respeitamos como tais, não detêm mais o monopólio da fé. E assim é porque elas respondem cada vez menos ao questionamento do Ser Humano e não mais o satisfazem no plano interior.

É talvez também porque elas se afastaram da Espiritualidade.

Ora, esta, embora imutável em essência, procura constantemente se expressar através de veículos cada vez mais adaptados à evolução da Humanidade.

A sobrevivência das grandes religiões depende mais que nunca de sua aptidão para renunciar às crenças e posições mais dogmáticas que elas adotaram com o passar dos séculos, tanto no plano moral como no doutrinário. Para que elas perdurem, devem imperiosamente se adaptar à sociedade. Se não se derem conta, nem da evolução das consciências nem do progresso da ciência elas se condenarão a desaparecer a um prazo mais ou menos longo, não sem provocar ainda mais conflitos étnico-sócio-religiosos. Mas, na realidade, presumimos que seu desaparecimento é inevitável e que, sob o efeito da globalização das consciências, elas darão nascimento a uma Religião universal que integrará o que elas tinham de melhor a oferecer à Humanidade para a sua Regeneração.

Por outro lado, pensamos que o desejo de conhecer as leis divinas, isto é, as leis naturais, universais e espirituais, há de cedo ou tarde suplantar a necessidade exclusiva de crer em Deus. Nisso, postulamos que a crença um dia dará lugar ao Conhecimento

Assim é que aparecem hoje em dia, à margem ou no lugar das grandes religiões, grupos de afinidades, comunidades de idéias ou movimentos de pensamento, no seio dos quais as doutrinas, mais propostas que impostas, são admitidas por uma adesão voluntária. Independentemente da natureza intrínseca dessas comunidades, desses grupos ou desses movimentos, sua multiplicação traduz uma diversificação da busca espiritual.

De maneira geral, consideramos que essa diversificação se deve ao fato de que as grandes religiões, que respeitamos como tais, não detêm mais o monopólio da fé.

E assim é porque elas respondem cada vez menos ao questionamento do Ser Humano e não mais o satisfazem no plano interior. É talvez também porque elas se afastaram da Espiritualidade. Ora, esta, embora imutável em essência, procura constantemente se expressar através de veículos cada vez mais adaptados à evolução da Humanidade.

A sobrevivência das grandes religiões depende mais que nunca de sua aptidão para renunciar às crenças e posições mais dogmáticas que elas adotaram com o passar dos séculos, tanto no plano moral como no doutrinário. Para que elas perdurem, devem imperiosamente se adaptar à sociedade. Se não se derem conta, nem da evolução das consciências nem do progresso da ciência elas se condenarão a desaparecer a um prazo mais ou menos longo, não sem provocar ainda mais conflitos étnico-sócio-religiosos

Mas, na realidade, presumimos que seu desaparecimento é inevitável e que, sob o efeito da globalização das consciências, elas darão nascimento a uma Religião universal que integrará o que elas tinham de melhor a oferecer à Humanidade para a sua Regeneração. Por outro lado, pensamos que o desejo de conhecer as leis divinas, isto é, as leis naturais, universais e espirituais, há de cedo ou tarde suplantar a necessidade exclusiva de crer em Deus. Nisso, postulamos que a crença um dia dará lugar ao Conhecimento

No que concerne à moral, no sentido que damos a esta palavra que se tornou ambígua, consideramos que ela está cada vez mais injuriada. Para nós ela não designa obediência cega a regras (para não dizer a dogmas) sociais, religiosas, políticas ou outras. Ora, é assim que muitos de nossos concidadãos percebem a moral dos nossos dias e daí vem sua atual rejeição

Consideramos antes que ela se relaciona com o respeito que todo indivíduo deveria ter para com ele próprio, os outros e o ambiente. O respeito a si mesmo consiste em viver segundo suas próprias idéias e não em se fundamentar nos comportamentos que se reprova nos outros. O respeito aos outros consiste, simplesmente, em não fazermos ao nosso semelhante o que não gostaríamos que ele nos fizesse, o que todos os sábios do passado ensinaram

Quanto ao respeito ao ambiente, ousamos dizer que ele vem naturalmente: respeitar a natureza e preservá-la para as gerações futuras. Vista sob esse ângulo, a moral implica um equilíbrio entre os direitos e os deveres de cada um, o que lhe dá uma dimensão humanística que nada tem de moralizadora

A moral, no sentido que vimos de definir, coloca todo o problema da educação. Ora, esta nos parece perdida. A maioria dos pais já desistiu nesse campo ou não tem mais as referências necessárias para educar corretamente seus filhos. Muitos deles descarregam sua responsabilidade nos professores, para dissimular essa carência. Todavia, o papel de um professor não é antes de tudo de instruir, ou seja, de transmitir conhecimentos?

Quanto à educação, consiste antes em inculcar valores cívicos e éticos. Nisso compartilhamos a idéia de Sócrates, que via nela “a arte de despertar as virtudes da alma”, tais como a humildade, a generosidade, a honestidade, a tolerância, a benevolência, etc. Independentemente de toda consideração de natureza espiritual, consideramos que são essas virtudes que os pais e os adultos em geral deveriam inculcar nas crianças. Naturalmente, isso implica, se não que eles próprios as tenham adquirido, ao menos que tenham consciência da necessidade de adquiri-las

Com certeza o leitor sabe que os rosacruzes do passado praticavam a alquimia material, que consistia em transmutar metais inferiores em ouro, principalmente o estanho e o chumbo. O que freqüentemente se ignora é que eles também se dedicavam à alquimia espiritual.

Nós, rosacruzes dos tempos atuais, damos prioridade a essa forma de alquimia, pois é dela que mais do que nunca o mundo necessita. Essa alquimia consiste, para todo ser humano, em transmutar cada um de seus defeitos em sua qualidade oposta, a fim de, precisamente, adquirir as virtudes a que já nos referimos.

Pensamos, com efeito, que são essas virtudes que fazem a dignidade humana, pois o Ser Humano só é digno do seu status se as expressa através do que pensa, diz e faz. Não há dúvida de que, se todos os indivíduos, sejam quais forem suas crenças religiosas, suas idéias políticas ou outras, fizessem o esforço de adquiri-las, o mundo seria melhor. Assim, pois, a Humanidade pode e deve se regenerar, mas é preciso, para isso, que todo ser humano se regenere, inclusive no plano moral

Quanto à arte, consideramos que ela seguiu, durante os séculos passados e mais particularmente durante as últimas décadas, um movimento de intelectualização que a levou a uma crescente abstração. Esse processo cindiu a arte em duas correntes opostas: uma arte elitista e uma arte popular.

A arte elitista é precisamente aquela que se expressa através do abstrato e cuja compreensão está o mais das vezes limitada àqueles que se dizem iniciados ou que se diz que são iniciados. Por uma reação natural, a arte popular se opõe a essa tendência, acentuando sua maneira de traduzir o concreto, às vezes de maneira excessivamente figurativa. Mas, por paradoxal que isso pareça, ambas mergulham cada vez mais na matéria, tanto é verdadeiro que os extremos se tocam. Assim foi que a arte se tornou, estrutural e ideologicamente, materialista, à imagem da maioria dos campos da atividade humana. Hoje em dia ela traduz mais os impulsos do ego do que as aspirações da alma, o que lamentamos

Acreditamos que a arte verdadeiramente inspirada consiste em traduzir no plano humano a beleza e a pureza do Plano Divino. Neste particular, barulho não é música; borradela não é pintura; trituração não é escultura; extravasamento não é dança. Quando não são efeitos da moda, são meios de expressão que traduzem uma mensagem sociológica que seria um equívoco negligenciar.

Pode-se naturalmente apreciar essas coisas, mas parece-nos inconveniente qualificá-las como artísticas. Para que as artes participem na Regeneração da Humanidade, consideramos que elas devem colher sua inspiração nos arquétipos naturais, universais e espirituais, o que implica que os artistas “se elevem” a esses arquétipos, em lugar de “descerem” aos estereótipos mais comuns.

Paralelamente, é absolutamente necessário que as artes se dêem uma finalidade estética. Tais são, para nós, as duas principais condições a reunir para que elas contribuam realmente para a elevação das consciências e sejam a expressão humana da Harmonia Cósmica

No tocante às relações do Ser Humano com seus semelhantes, consideramos que elas são cada vez mais interesseiras e deixam cada vez menos lugar ao altruísmo. É verdade que se manifestam impulsos de solidariedade, mas isso acontece o mais das vezes fortuitamente, por ocasião de catástrofes (inundações, tempestades, tremores de terra, etc.)

Em situações normais, é o cada um por si que predomina nos comportamentos

Pensamos que também essa ascensão do individualismo é uma conseqüência do materialismo excessivo que grassa atualmente nas sociedades modernas. Não obstante, o isolamento que decorre disso deveria acabar, cedo ou tarde, gerando o desejo e a necessidade de renovar o contato com os outros. Por outro lado, pode-se esperar que essa solitude leve cada um a se interiorizar mais e a se abrir finalmente para a Espiritualidade


A generalização da violência nos parece também muito preocupante. É verdade que ela sempre existiu, mas está se manifestando cada vez mais nos comportamentos individuais. O que é mais grave ainda é que ela se manifesta cada vez mais cedo. Neste começo do século XXI, uma criança mata uma outra, aparentemente sem nenhum sentimento

A essa violência efetiva acrescenta-se uma violência fictícia que invadiu as telas de cinema e de televisão. A primeira inspira a segunda e esta alimenta aquela, criando um círculo vicioso que é mais que tempo de deter. Nisso, se é inegável que a violência tem múltiplas causas (miséria social, ruptura da família, desejo de vingança, necessidade de dominação, sentimento de injustiça, etc.), seu fator mais determinante não é outro senão a própria violência

Evidentemente, essa cultura da violência é perniciosa e não pode ser construtiva, tanto mais que, pela primeira vez na História conhecida, a Humanidade tem os meios de se autodestruir em escala planetária

Num paradoxo dos tempos modernos, constatamos por outro lado que, na era da comunicação, os indivíduos praticamente não se comunicam mais. Os membros de uma mesma família não dialogam mais entre si, tão ocupados estão em escutar o rádio, assistir à televisão ou surfar na Internet. A mesma constatação se impõe num plano mais geral: a telecomunicação suplanta a comunicação propriamente dita

Com isso ela instala o Ser Humano numa grande solidão e reforça o individualismo a que já nos referimos

Que sejamos bem compreendidos: o individualismo, como direito natural a viver de maneira autônoma e responsável, absolutamente não nos parece condenável; bem ao contrário. Mas, que ele se torne um modo de vida baseado na negação do outro, parece-nos particularmente grave, pois contribui para a desagregação do meio familiar e do sistema social

Por contraditório que pareça, consideramos que a atual falta de comunicação entre nossos concidadãos resulta em parte de um excesso de informação. Naturalmente, não se trata de se reconsiderar o dever de informar e o direito de ser informado, pois ambos são os pilares de toda democracia verdadeira

Parece-nos, no entanto, que a informação se tornou ao mesmo tempo excessiva e invasora, a ponto de gerar o seu oposto: a desinformação. Lamentamos igualmente que ela seja focalizada acima de tudo na precariedade da condição humana e tanto ponha em epígrafe os aspectos negativos do comportamento humano

Assim fazendo ela nutre, no melhor, o pessimismo, a tristeza e o desespero; no pior, a suspeição, a divisão e o rancor. Se é legítimo mostrar o que participa na feiúra do mundo, é do interesse de todos revelar o que compõe a sua beleza. Mais que nunca o mundo tem necessidade de otimismo, esperança e unidade

A compreensão do Ser Humano pelo Ser Humano constituiria um avanço considerável, mais radical ainda do que o impulso científico e tecnológico que o século XX conheceu. Por isso toda sociedade deve favorecer os encontros diretos entre seus membros, mas também abrir-se para o mundo

Nisso defendemos a causa de uma Fraternidade humana que faça de todo indivíduo um Cidadão do mundo, o que supõe que se ponha termo a toda discriminação ou segregação de ordem racial, étnica, social, política ou outra. Finalmente, trata-se de empreender o advento de uma Cultura da Paz, fundada na integração e na cooperação, coisa em que os rosacruzes sempre se empenharam. Sendo a Humanidade uma em essência, sua felicidade só é possível favorecendo a de todos os seres humanos, sem exceção

A propósito das relações do Ser Humano com a Natureza, consideramos que elas nunca foram tão ruins num plano de conjunto

Todo mundo pode constatar que a atividade humana tem efeitos cada vez mais nocivos e degradantes sobre o ambiente. No entanto, é evidente que a sobrevivência da espécie humana depende de sua aptidão para respeitar os equilíbrios naturais

O desenvolvimento da Civilização gerou muitos perigos decorrentes de manipulações biológicas relativas à alimentação, à utilização em grande escala de agentes poluentes, à acumulação mal controlada de resíduos nucleares, para citarmos apenas alguns riscos principais

A proteção da Natureza e, portanto, a salvaguarda da Humanidade, tornou-se uma questão de cidadania, ao passo que antes só dizia respeito aos especialistas. Ademais, ela se impõe doravante no plano mundial

Isso é ainda mais importante porque o próprio conceito de Natureza mudou e porque o Ser Humano está se sentindo parte integrante dela; não se pode mais falar, hoje em dia, em Natureza em si mesma

A Natureza há de ser, portanto, aquilo que o Ser Humano queira que ela seja

Uma das características da época atual é seu grande consumo de energia. Esse fenômeno não seria em si mesmo inquietante se fosse produzido com inteligência. Observamos, no entanto, que as fontes naturais estão sendo superexploradas e estão se esgotando gradativamente (carvão, gás, petróleo)

Por outro lado, certas fontes de energia (centrais nucleares) apresentam riscos consideráveis, muito difíceis de dominar. Notamos também que, a despeito de recentes tentativas de acordo, certos perigos, como a emissão de gás com efeito-estufa, a desertificação, o desmatamento, a poluição dos oceanos, etc., não são objeto de medidas adequadas, por falta de uma vontade suficiente. Além do fato de que essas agressões ao ambiente fazem com que a Humanidade corra riscos muito graves, elas traduzem uma grande falta de maturidade, tanto no plano individual quanto no coletivo

Seja o que for que se diga, consideramos que as anormalidades climáticas atuais, com seu cortejo de tempestades, inundações, etc., são uma conseqüência das agressões que os homens infligem há muito tempo ao nosso planeta.

Evidentemente, um outro problema importante não deixará de se impor de modo mais ou menos crucial no futuro: o problema da água. Ela é um elemento indispensável à manutenção e ao desenvolvimento da vida. Sob uma forma ou outra, todos os seres vivos dela necessitam. O Ser Humano não é exceção a essa lei natural, mesmo porque seu corpo contém 70% de água

Ora, o acesso a um volume constante atual de água doce está hoje limitado a no máximo para seis habitantes no globo, proporção esta que ameaça reduzir-se para somente quatro habitantes antes de meio século, devido ao au­mento da população mundial e da poluição dos rios e dos riachos. Os maiores especialistas concordam em dizer, hoje em dia, que o “ouro branco” será, mais que o “ouro negro”, o jogo do século, com todos os riscos de conflitos que isso implica. Uma tomada de consciência global desse problema também se impõe

A poluição do ar encerra ainda perigos consideráveis para a vida em geral e para a espécie humana em particular. A indústria, o aquecimento e os transportes, participam numa degradação de sua qualidade e poluem a atmosfera, fonte de riscos para a saúde pública

As zonas urbanas são as mais atingidas por esse fenômeno, que ameaça então se ampliar na medida da urbanização. Nessa linha de pensamento, a hipertrofia das cidades constitui um perigo não negligenciável para o equilíbrio das sociedades. A propósito de seu crescimento, adotamos a opinião que Platão, ao qual já nos referimos, emitiu em sua época: “Até ao ponto em que, aumentada, ela conserve sua unidade, a cidade poderá se estender, mas não além desse ponto”

O gigantismo não pode favorecer o humanismo no sentido com que já o definimos

Ele acarreta necessariamente desarmonia no seio das grandes cidades, gerando mal-estar e insegurança.

O comportamento do Ser Humano para com os animais também faz parte de suas relações com a Natureza. Ele tem o dever de amá-los e respeitá-los. Todos participam na cadeia da vida tal como se manifesta na Terra e todos são agentes da Evolução. Ao seu nível, eles são também veículos da Alma Divina e participam no Plano Divino. Vamos mesmo ao ponto de considerar que os mais evoluídos dentre eles são seres humanos em devir. Por todas essas razões, consideramos indignas as condições em que muitos deles são criados e abatidos

Quanto à vivissecção, nela vemos um ato de barbárie

De maneira geral, consideramos que a fraternidade deve incluir todos os seres que a vida pôs no mundo. Compartilhamos também essas proposições atribuídas a Pitágoras: “Enquanto os homens continuarem a destruir sem piedade os seres vivos dos reinos inferiores, não conhecerão nem a santidade nem a paz

Enquanto eles massacrarem os animais, haverão de se matar entre si

Com efeito, quem semeia morticínio e dor não pode colher alegria e amor”

Com respeito às relações do Ser Humano com o Universo, consideramos que elas se baseiam na interdependência. Sendo o Ser Humano um filho da Terra e a Terra uma filha do Universo, o Ser Humano é então um filho do Universo. Assim é que os átomos que compõem o corpo humano provêm da Natureza e são encontrados nos confins do Cosmo, o que leva os astrofísicos a dizer que “O Ser Humano é um filho das estrelas”

Mas, se o Ser Humano está em débito com o Universo, este também deve muito a ele; não a sua existência, é claro, mas sua razão de existir

Com efeito, que seria o Universo se os olhos do Ser Humano não o pudessem contemplar, se sua consciência não o pudesse apreender, se sua alma não pudesse nele se refletir? Na realidade, O Universo e o Ser Humano precisam um do outro para se conhecerem e mesmo se reconhecerem, o que não deixa de lembrar o célebre adágio: “Conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”.


Não cabe todavia deduzir que nossa concepção da Criação seja antropocêntrica. De fato, não fazemos do Ser Humano o centro do Plano Divino. Digamos antes que fazemos da Humanidade o centro de nossas preocupações

Segundo o nosso pensamento, sua presença na Terra não é fruto do acaso ou de um concurso de circunstâncias. Ela é conseqüência de uma Intenção que teve origem na Inteligência Universal que é comumente chamada de Deus. Ora, se Deus, devido à Sua Transcendência, é incompreensível e ininteligível, não acontece o mesmo com as leis pelas quais Ele se manifesta na Criação

Como já o mencionamos, o Ser Humano tem o poder, se não o dever, de estudar essas leis e de aplicá-las para o seu bem-estar material e espiritual. Pensamos mesmo que é nesse estudo e nessa aplicação que residem, não somente sua razão de ser, mas também sua felicidade

As relações do Ser Humano com o Universo colocam ainda a questão de saber se a vida existe em outros lugares além da Terra. Estamos convencidos disto. Dado que o Universo contém cerca de cem bilhões de galáxias e cada galáxia cerca de cem bilhões de estrelas, existem provavelmente milhões de sistemas solares comparáveis ao nosso. Por conseguinte, pensar que só o nosso planeta é habitado nos parece muito redutor e constitui uma forma de egocentrismo

Dentre as formas de vida que povoam outros mundos, algumas são provavelmente mais evoluídas do que as que existem na Terra; outras, menos. Mas todas fazem parte do mesmo Plano Divino e participam na Evolução Cósmica

Quanto a saber se extraterrestres podem contatar nossa Humanidade, consideramos que sim, mas não fazemos disso objeto de nenhuma expectativa

Temos outras prioridades. Isto posto, o dia em que se fizer esse contato, pois ele há de ocorrer, constituirá um evento sem precedente. Com efeito, a História do Ser Humano se fundirá à da Vida Universal…

EPÍLOGO

Caro leitor:

Aí está então o que queríamos lhe dizer através deste Manifesto. Terá ele lhe parecido alarmista? Por razão mesmo de nossa filosofia, esteja no entanto seguro de que somos ao mesmo tempo idealistas e otimistas, posto que temos confiança no Ser Humano e em seu destino. Quando se considera o que ele criou de mais útil e mais belo no campo da ciência, da tecnologia, da arquitetura, da arte, da literatura ou em outros e, quando se pensa nos sentimentos mais nobres que ele é capaz de ter e de expressar, como o maravilhamento, a compaixão, o amor, etc., não se pode duvidar de que ele possui em si algo de divino e de que é capaz de se transcender para fazer o bem. A este respeito pensamos, com o risco de mais uma vez parecermos utopistas, que o Ser Humano tem o poder de fazer da Terra um lugar de paz, de harmonia e de fraternidade. Isso só depende dele

A situação do mundo atual não é desesperada, mas é preocupante. O que mais nos preocupa, não é tanto o estado da Humanidade quanto o do nosso planeta. Pensamos, com efeito, que o tempo para a evolução espiritual da Humanidade não está contado, pois, como sua alma é imortal, ele tem de certo modo a eternidade para realizar essa evolução. Ao contrário, a Terra está realmente ameaçada a médio prazo, pelo menos como habitat para a espécie humana

O tempo está então contado para ela e consideramos que sua preservação é o verdadeiro jogo do século XXI. É a ela que a política, a economia, a ciência, a tecnologia e, em geral, todos os campos da atividade humana, deveriam se dedicar. Será realmente tão difícil compreender que a Humanidade só poderá encontrar felicidade vivendo em harmonia com as leis naturais e, por extensão, com as leis divinas? Por outro lado, será tão absurdo admitir que ela tenha os meios de se sublimar em seu próprio interesse? Seja como for, se os seres humanos persistirem no atual materialismo, as profecias mais sombrias se realizarão e ninguém será poupado

Pouco importam as idéias políticas, as crenças religiosas, as convicções filosóficas de cada um. Os tempos não estão mais para divisão, qualquer que seja sua forma, mas para a união; para a união das diferenças, a serviço do bem comum. Nisso, nossa Fraternidade conta em seu quadro com cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas, animistas e mesmo agnósticos

Reúne também pessoas que pertencem a todas as categorias sociais e representam todas as correntes políticas clássicas. Homens e mulheres nela têm um status de total igualdade e cada membro goza das mesmas prerrogativas. É essa unidade na diversidade que faz a pujança do nosso ideal e da nossa egrégora

Assim é porque a virtude que mais prezamos é a tolerância, isto é, precisamente, o direito à diferença. Isto não faz de nós sábios, pois a sabedoria abrange muitas outras virtudes. Consideramo-nos antes filósofos, ou seja, literalmente, “amantes da sabedoria”

Antes de selar esta Positio e lhe dar assim a marca da nossa Fraternidade, desejamos encerrá-la com uma invocação que traduz o que se poderia qualificar como a Utopia Rosacruz, no sentido platônico do termo

Apelamos à boa vontade de todos e de cada um, para que essa Utopia se torne um dia realidade, para o maior bem da Humanidade. Talvez esse dia nunca chegue, mas, se todos os seres humanos se esforçarem para acreditar nisso e agir em conformidade com isso, o mundo só poderá ser melhor…

Utopia Rosacruz

Deus de todos os seres humanos, Deus de toda vida,
Na Humanidade com que sonhamos:

Os políticos são profundamente humanistas e trabalham a serviço do bem comum.

Os economistas gerem as finanças dos Estados com discernimento e no interesse de todos,

Os sábios são espiritualistas e buscam sua inspiração no Livro da Natureza,

Os artistas são inspirados e expressam em suas obras a beleza e a pureza do Plano Divino,

Os médicos são motivados pelo amor ao próximo e cuidam tanto das almas quanto dos corpos,

Não há mais miséria nem pobreza, pois cada qual tem aquilo de que precisa para viver feliz,

O trabalho não é mais vivenciado como uma coerção, mas como uma fonte do desabrochar e de bem-estar,

A natureza é considerada como o mais belo dos templos e os animais como nossos irmãos em via de evolução,

Há um Governo mundial, formado pelos dirigentes de todas as nações, trabalhando no interesse de toda a Humanidade,

A espiritualidade é um ideal e um modo de vida que têm sua fonte numa Religião universal, baseada mais no conhecimento das leis divinas do que na crença em Deus,

As relações humanas são fundadas no amor, na amizade e na fraternidade, de modo que o mundo inteiro vive em paz e harmonia.

Assim Seja!
Selado a 20 de março de 2001






Ano Rosacruz 3354



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Documento registrado no 4º Ofício de Registro de Títulos e Documentos da Comarca

de Curitiba-PR, protocolo nº 16231-A de 02 de agosto de 2001.




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Sua opinião e comentários sobre o MANIFESTO serão bem-vindos.

Envie para o e-mail: r+c@amorc.org.br


Ano Rosacruz 3354 .


Aviso aos amigos e irmãos:

Este texto foi fielmente transcrito, do MANIFESTO DA ORDEM ROSACRUZ - AMORC,

com autorização do Grande Mestre e do Imperator Mundial.

E êle é livre e autorizado a transcrição, desde que cite a fonte:

ORDEM ROSACRUZ - AMORC.


Abraços e Saudações Fraternais,

com os sinceros votos de,


PAZ PROFUNDA!


Ivanildo Assis


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Sublime é pouco para manifestar oq senti qdo li... ali está sábia e lindamente resumido tudo oq penso hoje, e toda a minha preocupação!

Tópico de grande importância da Comu espero q seja lido por todos e muito comentado, é de extrema urgência e importância q todos se conscientizem dos problemas, mas não da forma como vem sendo abordado, esse tópico esclarece e faz refletir profundamente sobre a nossa responsabilidade como seres Cósmicos e Universais...

Tudo esta absoluta e intimamente ligado, é preciso q todos entendam essa verdade, acredito q só assim seremos capazes de evoluir e estabelecer como real a tal "Utopia RosaCruz" é preciso ver sem os véus da ilusão... e o Manifesto faz justamente isso, e pura "LUZ"!!!

Obrigada! Obrigada! Obrigada!



Muita "LUZ DIVINA" sempre e Bjks!!!

domingo, 10 de agosto de 2008

*** A TUA OUTRA METADE ***


Retirado do novo livro de Yehuda Berg, Spiritual Rules of Engagement No início, antes do mundo físico existir, havia Luz infinita. Não existia mais nada. E isto era um problema. A Luz queria partilhar a felicidade infinita que continha, mas não existia ninguém para partilhar. Então a Luz criou o que os kabbalistas chamam o Recipiente Original, ou a Alma Original. Este Recipiente, ou Alma, foi criado da Luz, por isso continha o mesmo DNA que a Luz. Se a Luz fosse vidro líquido, por exemplo, imagina arrefecer algum desse líquido e moldá-lo em jarra. A jarra é um recipiente, mas a jarra é feita de vidro. Por isso a jarra tem dois aspectos: é uma jarra e o material de que é feita.

O Recipiente Original era um contentor (a energia feminina) mas era feito de Luz (energia masculina). Isto é como a energia masculina e feminina apareceram no nosso universo. Aqui também descobrimos o mistério por trás dos personagens bíblicos Adão e Eva. Ao contrário do conhecimento popular, o Adão e a Eva não foram duas pessoas que habitavam um jardim místico. Adão e Eva referem-se ao Recipiente Original e ao seu aspecto duplo das forças masculina e feminina. Este Recipiente foi separado da Luz porque a sua natureza de receber era diferente da natureza de partilhar da Luz.

Por outras palavras, receber é o traço dominante do Recipiente. A característica secundária, menos importante é a substância de que é feita: Luz. Como a natureza dominante do Recipiente é receber, tornou-se distante da Luz, separada do espaço. O espaço criado por esta natureza contrária do Recipiente deu origem ao Big Bang (o nascimento do espaço literal) e às nossas próprias vidas. Por acaso, é por isso que a humanidade se acha tão distante da Luz, tão distante de um mundo de alegria e paz puras. Contudo, existe uma solução para o problema em que estamos. E a solução para esta condição de desconexão e espaço tem directamente a ver com a ideia das almas gémeas. Então vamos chamar-lhe uma So(u)lution (Alma+solução) em vez de solução. Enquanto o Recipiente continuasse a receber, permaneceria distante da Luz. Então o Recipiente fez algo de espectacular.

Deixou de receber, dividindo-se no processo. O aspecto masculino e feminino ficaram separados um do outro e partiram para o vácuo do espaço vazio (o Universo). Esta é a origem do protão (masculino) e do electrão (feminino), forças que constituem o átomo, o tijolo de toda a matéria que existe. Todo o nosso Universo é, de facto, feito de fragmentos do Recipiente Original. O que é que tudo isto tem a ver com almas gémeas? TUDO. Cada alma que vem a este mundo procura instintivamente a outra metade de que foi separada pelo acto de dividir o Recipiente Original. Cada homem tem um aspecto em falta da sua alma que é feminino, e cada mulher tem um aspecto em falta da sua alma que é masculino. Este aspecto em falta é a nossa alma gémea. Então uma alma gémea não é apenas um mito ou um termo engraçado. Encontrar a alma gémea é o desejo inato de cada pessoa no planeta.

É o caminho para a verdadeira satisfação. É o destino de cada homem e mulher neste mundo. E se a nossa alma gémea não aparece nesta vida, aparecerá na próxima – ou na outra a seguir. Cada um de nós nasce tantas vezes quantas as necessárias para encontrar a verdadeira alma gémea. Quando um homem é novo – ie, vem ao mundo pela primeira vez – a sua alma gémea nasce com ele, como se sabe, e quando chega o momento dele se casar com ela, encontra-a imediatamente sem nenhum problema. Mas se o homem cometeu um pecado e re-encarnou por causa disso, a sua alma gémea re-encarnará com ele para seu benefício. Quando chega o momento deste homem se casar com ela, ele não a encontra de imediato, mas apenas depois de muita confusão, pois ele re-encarnou por alguma inigualdade, alguém o denunciou Lá em Cima e deseja tirá-la dele, provocando lutas entre eles. Isto é porque se diz que é tão difícil uni-los como é dividir o Mar Vermelho.—Escritos de Rav Isaac Luria, Gates of Reincarnation, 20th Introduction Esta reunificação com a nossa alma gémea é vitalmente importante e apenas ocorre quando conectamos primeiramente com a Luz Divina que existe em nós, como aprendemos anteriormente. Isto tem um significado cósmico…

Eu poderia continuar aqui a descrever todos os encontros e milagres iluminados que ocorrem. Mas para ser honesta, os mais inspiradores foram os pequenos ... como a sensação de transmitir "LUZ". Além de olhar nos olhos das pessoas quando elas estão precisando falar, um aperto de mão bem firme, um forte abraço, sorrisos e palavras de gratidão. Sente-se a mudança de energia nas salas e escritórios! Lentamente começamos a aperceber-nos, podemos fazer a diferença. Quando alguns de nós lutam contra a resistência, podemos ultrapassar obstáculos e atingir o coração e mente das pessoas, criamos uma mudança no nível espiritual que se manifestará no mundo físico!

O que se passa com o Av?Por Elisheva Balas, Instructora de Kabbalah Instructor, Londres
Ao longo do ano combatemos o nosso oponente interno. Preparamo-nos para a batalha com o Zohar, os 72 Nomes de Deus, certeza, proatividade, e outras ferramentas. Combatemos a nossa negatividade diariamente.

Se tudo correr bem saímos vencedores, pelo menos a maior parte do tempo. E a maioria das vezes, as hipóteses estão em nosso favor. Chamemos-lhe “vantagem do tribunal caseiro”. Temos as ferramentas, o apoio da força da Luz para puxar por nós. Relembra-te, a força negativa é “o oponente”, não “o conquistador”, porque também é uma ferramenta para ganhar a Luz. Não quer ganhar, apenas apresentar obstáculos que são oportunidades para crescer e transformar. A vantagem do tribunal caseiro é nossa quase todos os dias do ano. QUASE. Uma excepção é o mês de Leão. O Zohar explica que momentos diferentes do ano dão oportunidades diferentes de crescimento espiritual.

A maioria das vezes, a energia existe em abundância, dando-nos vantagem ao jogarmos o jogo da vida contra o nosso principal oponente. Contudo, durante o mês de Leão, é o oponente que tem a vantagem. Estamos a jogar o jogo no lado dele. E desde há gerações, que ele usou esta vantagem para instalar o caos no mundo. Tudo começou numa noite destinada há 3400 anos, quando os espiões regressaram de Israel com um relatório, condenando todos os Israelitas com mais de 20 anos a morrer e não entrar na Terra Prometida. Estes espiões não podiam ganhar a batalha contra as suas agendas pessoais.

Um ponto, ou melhor, 10 pontos para o oponente. O oponente venceu dois jogos contra os Israelitas durante os impérios Romano e Grego ao destruir ambos os Templos Sagrados em Jerusalem. Marcou 3 pontos com a Inquisição Espanhola. A Solução Final da Alemanha Nazi venceu o campeonato mundial. Todos estes acontecimentos trágicos ocorreram no campo de jogo do oponente, o mês de Leão. De facto, todos estes eventos aconteceram no mesmo dia: o nono de Leão. Tisha B’Av [o Nono de Leão]O pico da força do oponente acontece neste dia, conhecido como Tisha B’Av, que os Kabbalistas descrevem como o dia mais negative do ano. Este dia foi estabelecido no momento da Criação para nos ajudar a destruir a fonte e semente de todo o caos pelos nossos meios.

Esta oportunidade especial acontece uma vez por ano porque neste dia existe a presença total de todos os aspectos da consciência do oponente, porque o inimigo, que é o oponente, tem total jurisdição sobre o Tisha B’Av. Toda a sua energia está concentrada num local, de forma a que podemos destrui-lo completamente de uma vez. Contudo, temos vindo a fazer um erro trágico sobre o Tisha B’Av. Como sabemos, neste dia, o oponente reina. É o dia em que tem permissão de sair e fazer o que lhe apetece, começar qualquer forma de caos com quem quiser, qualquer nação do mundo. É o seu dia. E então dizem-nos, desde o primeiro incidente há 3400 anos, que o melhor a fazer neste dia é ter cuidado.

O Zohar alerta-nos: Tem cuidado – hoje reina o mal supremo. O que é que o Zohar significa quando diz reina o mal supremo? Existe apenas uma coisa que podemos fazer e é trazer a Luz para as nossas vidas – nada mais. É tudo o que podemos fazer – trazer a Luz. Não lutar. Deixar estar. Em vez disso, tocar na Luz. Utilizar a tecnologia Kabbalística para a acendar. O facto é que Luz e escuridão não podem co-existir. Não podes tocar a negatividade. Por isso não trabalhes contra ela. Aceita o princípio simples: Acende a Luz. Tisha B’Av dá-nos a oportunidade de transformar o tribunal do oponente na arena da Luz. Enquanto é fácil ser espiritual quando as coisas estão bem, não é assim tão fácil quando estão difíceis. É por isso que se chama “restrição”; deves resistir a tua inclinação natural de reagir, e ser proactivo. Quando te defendes da tua negatividade durante o mês de Leão, dás grandes passos para te defenderes dela de uma vez por todas. No Tisha B’Av, a oportunidade está amplificada.

A pressão está no ar. A multidão está ao rubro, e contra ti. Mas quando te juntas ao Kabbalah Centre no Tish B’Av, utilizas as ferramentas e lutas contra a negatividade, ganhando vantagem no tribunal caseiro. Pensas que as pessoas já tiveram suficientes canções de amor tontas… Observa à tua volta – sabes bem que não. O Amor é a emoção mais discutida, ponderada, procurada e controversa. Faz-nos agir que nem tolos, deixar para trás as nossas vidas, sermos pessoas melhores, até matar, tudo “em nome do amor”. Tem-lo hoje, amanhã já era. Um momento estamos apaixonados, no próximo não.

Procuramo-lo em clubes nocturnos, online, e nas nossas casas. Agarramo-nos a ele como se fosse caríssimo, mas abusamos dele como se não valesse nada. O que é que se passa com o amor? De acordo com o Zohar, o amor é muito mais que só uma emoção. É uma manifestação do circuito cósmico que ocorre no 99% do nosso universo. É o efeito, não é a causa, de uma ligação espiritual verdadeira entre duas pessoas – duas metades de uma alma. O Tu B’Av é um dia do ano em que todas as forças masculinas e femininas no universo entram em harmonia. Acontece durante o mês de Leão, que é controlado pelo sol. É no 15º dia do mês, quando a lua está cheia. Neste dia único, o sol e a lua emitem igual quantidade de energia. Cada criação no mundo sente a plenitude. A terra e o cosmos estão em equilíbrio perfeito. As almas gémeas têm a oportunidade de se encontrar, unir e reforçar a sua relação.

E por este motivo, o amor está no ar. Os sábios equacionaram o Tu B’Av com o Yom Kippur como os dias mais positivos do ano. Porquê? Devido ao equilíbrio, reciprocidade, harmonia entre as forças que controlam este universo e que permitem que os circuitos de energia entre o nosso mundo e o Mundo Superior fluam abundantemente. Esta conectividade permite que consigamos atingir alturas espirituais inimagináveis, de tal forma que neste dia, as almas gémeas se podem reunir. Podemos gravar esta energia de amor, equilíbrio e harmonia durante as 24 horas do Tu B’Av. Podemos usá-la como uma fonte nos tempos mais difíceis nos nossos relacionamentos. Podemos também utilizar essa energia para encontrarmos a nossa alma gémea, e ficarmos completos.

Podemos usar esta energia para fazer os nossos relacionamentos completos, e para construir o nosso recipiente para relacionamentos equilibrados. Além disso, podemos usar este dia para equilibrar a relação Luz-Recipiente em cada um de nós, de forma a que o nosso desejo seja o de partilhar em vez de receber.O Amor eleva-nos até onde pertencemos… Junta-te a nós no Tu B’Av, na conexão para nós, a nossa comunidade, o mundo. Participa na harmonia que está apenas disponível no Tu B’Av, para seres um raio de Luz para o ano todo – para a tua alma gémea, os teus amigos, família, e para ti.

Tudo o que precisas é de amor…

Me contaram sobre a história de amor de um amigo nosso onde ele na infância tinha uma paixão por uma colega de escola, mas que nunca eles tiveram oportunidade. E depois de 20 – 25 anos eles ficaram juntos, e estão muito apaixonados (bli ayn ará). E fiquei pensando: se esse cara tivesse desistido dela, se esse cara não tivesse mais nenhuma esperança (esperança essa que ele sustentou por 20 anos) quiçá ele teria perdido o amor da vida dele.

E eu estou contando essa história linda e verdadeira porque ela me inspirou a ser PERSISTENTE DIANTE DE QUALQUER DIFICULDADE, ser persistente diante de qualquer caos, tendo a certeza que a Luz tem o poder de remover qualquer escuridão, pequena, grande, possível ou impossível.

Eu sei que não é fácil manter a certeza e o otimismo quando o caos parece ter o controle de nossas vidas, mas se a gente quer de verdade sair dele (do caos) a gente tem que fazer o esforço de SE CONECTAR COM A LUZ através do poder de nossa alma.

Nunca desista de ter sua vida feliz, até porque a felicidade (Luz) nunca desistirá de entrar na sua vida. Pode demorar horas, dias, semanas, meses ou anos, mas será que não vale a pena esperar? Será que esse cara que teve o amor da vida dele depois de 20 anos não está todas as noites agradecendo a Deus dizendo: ‘Obrigado meu Deus, porque tudo (o tempo e as dificuldades nesses 20 anos) valeu a pena!"? Claro que ele está!

VALEU A PENA!
SEMPRE VALE!


Fique na "Luz Divina"

segunda-feira, 28 de julho de 2008

*** PORÇÃO MATOT DO ZOHAR ***


Neste momento, estamos no início do período de três semanas mais negativas e mais difíceis do ano. O auge é 9 de Av – o dia em que é permitido ao Satan reinar sobre o mundo. Nesse dia, ele governa o universo. Este também é o dia em que o Mashiach nasceu (todos nós sabemos que onde existe maior escuridão, existe também maior potencial de se revelar luz).

Apenas pensar em alguma coisa já produz resultados em sua vida. Por exemplo, suponha que você pense em matar alguém, mas na verdade não o faça porque não quer ir para a prisão. Só a idéia já constitui um potencial – a Árvore da Vida – Zeir Anpin. Só pensar já traz resultados. Ainda temos a capacidade no âmbito dos 99% de criar realidade. Esta semana, você pode modificar sua vida simplesmente pensando em como você quer que ela seja. Nos próximos dias, é possível trazer para a realidade o que você quiser. Mas você tem que se manter acima da dimensão física.

Isto é igual ao conceito do dízimo. Dízimo é quando você dá de 10 a 20% da sua renda líquida para caridade. Na Árvore da Vida, existem 10 mundos – os três superiores são potenciais, os seis seguintes são processo e o mundo final é o mundo físico (Malchut), onde você realiza seus desejos. Eis aqui um exemplo de Potencial-Processo-Manifestação:

Três Superiores: você deseja beber chá. É um desejo, você pensa nele, é uma idéia.

Seis seguintes: você procura o chá, uma xícara, começa a despejar, etc.
Último: você realmente bebe o chá.

Onde é mais provável acontecer uma situação de caos nesse cenário? Quando é um pensamento? Não. Em Malchut. É aí que você pode se engasgar. É fácil sonhar com a construção de uma casa, fazer planos, etc. Mas é quando você inicia a obra que o caos pode acontecer.

Quando você dá o dízimo, você abre mão do aspecto Malchut do seu dinheiro, porque ele é a parte ligada à fisicalidade e ao caos. É o mundo do Satan. Quando você se livra dessa parte do seu dinheiro, que é a parte física, então você consegue ir acima dele. Se você der o dízimo e se mantiver acima do âmbito físico, então seu negócio vai ser cuidado. Mas se você der apenas 10%, então você ainda tem que ser uma pessoa espiritual para poder se conectar com o aspecto positivo do resto do dinheiro. Você não pode sair e humilhar alguém em público e ainda esperar que seu dízimo vá protegê-lo. Se você der mais, até o nível de 20%, então você não só elimina Malchut, mas você também elimina o canal que conecta Malchut com o próximo nível da Árvore da Vida. Você acessa o canal. Então, mesmo que você seja negativo algumas vezes, seu negócio ainda assim não é afetado.

Nosso trabalho, antes do fim do Shabat, é nos elevar acima do âmbito físico. Dar o dízimo não com dinheiro, mas com esforço espiritual.

Esta porção é sempre lida neste período de três semanas negativas. Lembra-se da porção Shlach Lechá, quando Moisés envia os chefes das doze tribos para verificar se a terra de Israel era boa? Bem, foi dentro dessas três semanas que os espiões retornaram. Na verdade, eles retornaram em Tishá BeAv, o 9º. dia de Av, O dia mais negativo. Eles relataram que Israel era uma terra boa, mas eles não achavam que poderiam conquistar o povo que ali habitava. Isso criou caos por várias gerações porque foi um teste sobre certeza e eles não passaram.

Existem apenas umas três paginas no Zohar sobre a porção de Matot. Só três páginas para se conectar com a Árvore da Vida! Por quê? Porque menos é mais. Logo vamos cair na consciência da Árvore do Conhecimento, onde não possuímos controle. Num minuto as coisas parecem bem, e no outro parecem péssimas. Você não consegue controlar. Como podemos remover o caos de nossas vidas? Através da Kabbalah, que nos ensina como obter controle.

Esta porção nos fala sobre o movimento dos israelitas nos ínfimos detalhes. Ela diz que eles foram para tal cidade, lá dormiram, ficaram, comeram... Parece até ridículo. Mas se você contar todas as paradas que eles fizeram nos quarenta anos que vagaram pelo deserto, você verifica que eles foram para 42 lugares. Todos nós sabemos que esta é a combinação da conexão Ana Becoach, que nos fornece a ferramenta para ir acima da influência dos planetas, a fim de controlar tudo o que é físico neste mundo. Os chefes das 12 tribos representam os 12 signos do zodíaco, e a capacidade de superá-los. Isso nos fornece o poder para eliminar as influências negativas do mundo físico.

Quando você se encontra no mundo físico, você é afetado por tudo – por pessoas com raiva, pelo tempo, por questões de saúde, etc. Então, a pergunta é como você pode ir acima de tudo isso? Como podemos parar de ser afetados? Você pode consegui-lo fazendo seu trabalho espiritual esta semana. Esta é a negociação que a Luz faz conosco – se você fizer seu trabalho espiritual, então a Luz assegurará que o mundo físico não o afete. Eis o que podemos fazer:

1. Cumprir todas as promessas que tenhamos feito.
2. Desligar-nos de tudo que for negativo.
3. Encontrar uma batalha na sua vida e ir à luta.

Sobre as promessas:

Uma promessa é qualquer voto ou compromisso que você faça sobre alguma coisa que você queira alcançar. Você pode prometer não ser reativo, perder peso, parar de fumar, alimentar os sem teto, fazer exercício, etc. Se você faz uma promessa, o que acontece? A Luz quer lhe dar a capacidade de realizar aquilo que prometeu, e então ela o preenche com a quantidade certa de Luz necessária para realizar seu intento.

Você sabe que quando toma uma decisão desse tipo você se sente muito bem. Você se sente energizado. Isto ocorre porque quando você declara um desejo, você cria um receptor e obtém Luz. O entusiasmo que você sente é a Luz. Mas às vezes mudamos de pensamento e não cumprimos nossas promessas. Encontramos motivos para não cumpri-las, montamos racionais, etc. Mas com isso, o que acontece? Você já obteve a Luz para realizar aquela ação!

Você sabe como as promessas são importantes? Todo ano, uma vez por ano, os judeus de todo mundo correm para as sinagogas. Mesmo que nunca tenham colocado os pés numa sinagoga o ano inteiro, eles vão ao Kipur. E nem mesmo o fazem durante o dia inteiro, mas só para ouvir uma oração – o Kol Nidre. Por quê? Porque ela cancela suas promessas. Geralmente existe um significado importante por trás de uma tradição forte, mesmo que as pessoas não o saibam. E este é um desses casos.

Promessas são muito importantes. Você pode pensar, o que importa se eu quebrar uma promessa – isso tem a ver apenas comigo mesmo. Fiz uma promessa a mim mesmo de fazer alguma coisa, então quem sai prejudicado? Não se trata de alguma coisa entre mim e outra pessoa, e nem mesmo entre mim e Deus. Trata-se apenas da minha pessoa, então quem se importa?

Quando fazemos uma promessa, geralmente temos a verdadeira intenção de fazer alguma coisa, e usualmente tem a ver com uma mudança positiva. Mas aí a vida assume o controle sobre nós – Malchut assume o controle. É muito fácil prometer fazer alguma coisa e depois não cumprir. Essa é a natureza dos seres humanos, encontrar uma razão para não fazer algo bom, e contrariamente encontrar todos os motivos para fazer algo ruim.

Quando fazemos promessas e não as cumprimos, causamos poluição. Na verdade afetamos a camada de ozônio. Quando Moshe pediu aos chefes das tribos para irem para Israel, seu pedido exato foi, “vão e vejam como é boa a terra de Israel”. Como é boa. E quando eles disseram que iriam, fizeram uma promessa. Não para Moisés, mas para si próprios. Isso é uma promessa. Quando você faz uma promessa, você a assume, não importa por quem ou por que você a tenha feito. Mas eles retornaram e disseram que “Israel era uma terra boa, mas...” Eles quebraram a promessa. Quando se trata de promessas, não existe “mas”. É isso que torna uma promessa tão poderosa, e também tão perigosa.

Em Matot, aprendemos que os chefes das tribos (que representavam os 12 signos) possuem um incrível poder, mas quem decide se vai ou não ser controlado por eles? Nós decidimos. Depende de nós. Esses chefes de tribos possuíam receptores imensos. Eles eram os líderes responsáveis por 36.000 pessoas cada um! Eles possuíam uma enorme capacidade, assim como nós também possuímos. Quanto maior o receptor, tanto mais você quer, tanto maiores são seus objetivos e tanto mais você pode realizar.

Então, qual o problema em quebrar uma promessa? O Zohar enuncia a seguinte lei: quando você se separa da Luz, a Luz também tem que se afastar de você. Não existe coerção na espiritualidade. Se você diz que não quer a Luz, a Luz se afasta. Se você obtém Luz através de uma promessa feita, e depois você não a cumpre, a Luz tem que ir embora. E quando a Luz se afasta, você não sabe de onde ela o fará. Se você obtém Luz para iniciar um relacionamento, e depois dá para trás, a Luz não necessariamente vai se afastar de você nessa área. Ela pode se ausentar na área da saúde.

Para proteger-se do caos, esta semana você tem que manifestar todas essas promessas e planos que tenha feito e que nunca tenha cumprido. Ao mesmo tempo, se não for lógico ou possível cumprir essas promessas antes do Shabat terminar, não importa. Você simplesmente tem que começar a cumpri-las, porque se você não usar a Luz que recebeu, ela se voltará contra você.

Sobre desligar-se do negativo e ir à luta:

Nesta porção, os israelitas vão à guerra contra os midianitas. Ela fala algo sobre “desligar-se”. Moshe envia o povo para lutar na guerra. Então, temos que perguntar, por que ele fez isso? Por que ele simplesmente não usou ferramentas espirituais? E as pessoas que ele enviou nem eram as mais fortes – não eram seus melhores guerreiros. Eram pessoas justas; não eram lutadores. Também diz “foram à guerra sobre os midianitas”. Por que não diz “com”?

Quando os soldados retornam, Moshe fica muito furioso porque eles não haviam matado as mulheres e as crianças. Isso é horrível, mas o Zohar explica que quebrar a negatividade ao nosso redor é como ir à guerra. A guerra “sobre” Midian indica que não se trata de ir à guerra contra pessoas. É uma oportunidade de elevar-se acima da influência negativa dos midianitas. E apenas soldados espirituais poderiam assumir aquela luta, e não soldados que lutassem no nível físico.

Para lutar na guerra contra a negatividade, você tem que se desligar. Romper com seu ego, seu interesse pessoal, seus cálculos, etc. Você tem que ir acima da sua negatividade, e trabalhar-se com afinco para que não seja afetado pela negatividade.

Moshe ficou furioso porque supostamente eles deveriam remover TODA a negatividade e o caos, e não o fizeram. Ele estava preocupado com a negatividade que os cercava.

Muitas vezes, quando conhecemos uma pessoa negativa, simplesmente dizemos que não importa, que vamos ficar longe dela, que não é da nossa conta. Mas somos afetados! Você TEM que lidar com isso! Você não tem idéia de quanto uma pessoa negativa pode afetá-lo! É sim da sua conta. Você tem que se desligar.

No fim da guerra contra os midianitas, os israelitas não reportaram nenhuma baixa. Ninguém havia morrido. O Zohar pergunta, como pode ser? Isto porque não foi uma guerra física – os soldados foram como carruagens para quebrar todas as formas de negatividade.

Às vezes vemos as pessoas caminhando em direção ao desastre e não queremos nos envolver, mas temos que assumir de qualquer jeito. Você tem que dizer “não importa que ele não tenha abertura, vou lhe dizer para onde está indo, mesmo que ele não escute”. Se não houver baixas depois disso, você saberá que sua ação terá sido positiva.

Se você faz algo e não sente a Luz emanando desse ato, não o faça. Para que lutar se não existir Luz ali? Você só deve lutar para obter Luz. Do contrário, provavelmente estará lutando para estar certo, ou por causa do seu ego.

Para ganhar uma guerra contra qualquer coisa que seja negativa (e qualquer carência é negativa – não ter uma alma gêmea, problemas de dinheiro, etc), você TEM que se desligar dessa coisa. Eleve-se acima dela e pense em como fazê-lo.

Quando você vacina um bebê, ele chora no médico, chora por causa da injeção, e depois fica doente por causa da reação. Mas dizemos que é bom para ele – que isso o protegerá no futuro. Como pode ser? Se você suar por alguma coisa, para chegar a um lugar positivo, isso está certo. Esta semana, distinga entre trabalho duro que vale a pena e coisas que não possuem valor. Se você estiver trabalhando duro e conseguir alguma plenitude, ou se se sentir bem com aquilo, então você estará fazendo a coisa certa.


Encontrando uma batalha para ir à guerra:

Esta semana encontre uma batalha em algum lugar da sua vida onde você possa ir à guerra. Escolha pelo menos uma área onde você possa ir à guerra, mas faça diferente das outras vezes. Remova a negatividade, mas de uma perspectiva diferente – com LUZ.

Essas próximas três semanas são muito negativas, mas elas também podem ser muito boas se você trabalhar realmente duro. Deixe a Luz guiá-lo!

Quando uma pessoa faz o trabalho espiritual, ele se instala. Criamos fundações maiores do que antes. Você pode continuar melhorando cada vez mais o resultado no âmbito fisico.
Se existem áreas em sua vida que você não consiga mudar – esse é o momento de mudá-las!

O Ana Becoach é nossa ferramenta para controlar o mundo físico, não o mundo espiritual. É uma oração que está no nível dos resultados. Assim, se algo ruim acontecer, faça o Ana Becoach – para sair do trânsito, para ter certeza de que um negócio dê certo, etc. Ela é destinada a momentos onde você necessite superar alguma coisa no âmbito físico.

Você não pode pedir a Luz e depois empurrá-la para fora de sua vida. Quando você recebe uma oportunidade de compartilhar, ou uma oportunidade de exercer a restrição, e não a aproveita, você está afastando a Luz. E lembre-se, a Luz não o está punindo ao se afastar de você – ela tem que ir. Porque não existe coerção na espiritualidade.

Tudo de bom
Jamie Greene


Fique na "Luz Divina" !!!

domingo, 20 de julho de 2008

*** T E U R G I A ***


"O mago é o soberano pontífice da natureza;
o feiticeiro não passa de um profanador".
Eliphas Levi




A Cabala tem má fama. Está sempre associada com obscuridades impenetráveis ou com objetivos vulgares e distorcidos em títulos como "cabala do dinheiro", "cabala do sexo", "cabala prática", etc. A verdadeira Magia nunca se deu em prol de interesses egoístas e materiais, e mesmo as pessoas mais preparadas se perdem no caminho pela ambição e pela mentira. É preciso cautela, mas a despeito de títulos pomposos, é pelo hábito da mentira que detectamos os mal intencionados, e quase sempre a ambição anda junto com a mentira.

O desenvolvimento espiritual em geral se dá por duas vias: uma de ascensão e outra de manifestação. Subir é o caminho do místico, através de preces, meditações, contemplações e estados de êxtase cada vez mais profundos. O caminho do mago é a via de descida das energias divinas para a natureza, o que quer dizer que o mago verdadeiro colabora com a manifestação divina e a natureza, ao invés de operar contra ela. Essa distorção moral é que levou a Magia a ser inadequadamente ser chamada de "negra", uma vez que a corrupção é moral, do praticante, e não da Magia em si.

A Cabala engloba as duas vias. E exige para as duas elevado senso moral. A Magia na Cabala, por ser exercida em torno de nomes divinos, é mais propriamente chamada de Teurgia, "espécie de magia baseada em relações com os espíritos celestes; a arte de fazer descer Deus à alma para criar um estado de êxtase". Estas espantosas afirmações são do dicionário Novo Aurélio, e surpreende que num mesmo verbete tenhamos as definições tanto do caminho do místico quanto do caminho do mago!

Para a prática da Magia na Cabala, é preciso de uma séria meditação moral sobre as conseqüências da ação. Pela ação correta, no mesmo diapasão da própria divindade, todo o universo se rejubila. Para a ação distorcida, vale a lei do retorno tríplice, presente em muitas das culturas antigas e bastante explorada na Cabala Cristã, surgida do Renascimento. Pela falta de firmeza moral, muitos magos famosos e sacerdotes preparados terminaram na ruína.

Em matérias de Magia, é preciso ter firmeza, correção, prudência, humildade e sinceridade.

Enviado por: Giancarlo Salvagni, um aprendiz



Fique na Luz Divina !!!

*** JESUS E A CABALA MÍSTICA ***


"O Messias está no centro mesmo da Cabala e somente ele pode revelar seu significado verdadeiro".
"Jesus e a Cabala Mística"
Migene Gonzalez-Wippler



Nenhuma religião vem sendo tão mal entendida como o cristianismo. Desperta a antipatia de outras religiões que sequer entenderam do que se trata. Mas não são poucos os mestres orientais que reconhecem os ensinamentos de Jesus como legítimos. O Islã reconhece Jesus como profeta, ao qual é devotada uma das preces diárias e obrigatórias, a do amanhecer.

Jesus era filho de uma devotada família que só poderia seguir a fé mosaica. Falava nas sinagogas, o que significa que era reconhecido como rabino e, portanto, correspondia a rigorosos pré-requisitos. O assunto é por demais polêmico para ser tratado em poucas linhas, mas é importante notar que o cristianismo em sua origem é uma religião judaica, pregada por um judeu e seguida por outros judeus. A fé só se espalhou para os "gentios" por obra de São Paulo, que introduziu modificações e distorções que teriam causado espanto ao próprio Jesus, na condição de rabino.

Muitos estudiosos defendem que Jesus era plenamente versado na sabedoria da Cabala ("Tradição"). Na figura acima, vemos a Árvore da Vida da Cabala. Observemos a coluna do meio, a coluna de equilíbrio. A esfera mais baixa é a Terra, o "Reino" (Malkuth). Logo acima, a esfera da Lua, Yesod. A Terra está isolada de todas as outras, e sua condição sub-lunar faz com que seja necessário a consciência terrena se elevar até a esfera lunar, para que possa contemplar e depois subir à esfera de Iluminação, a esfera solar, Tiphereth. Cheguei a crer que a Iluminação era o objetivo final, mas ela é o objetivo "central"; contemplando a figura, vemos que ainda temos uma subida até a Coroa, Khether. Tiphereth, a esfera do Sol, representa o Coração, o Cristo, e vendo a Árvore da Vida, entendemos a frase "Eu sou a Verdade, o Caminho e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim". O Caminho direto para o Plano Divino é o Coração. A "chave" é o Amor.

Na impossibilidade de resumir assunto tão rico e complexo, vamos aos ensinamentos de Jesus, de acordo com as Sephiroth (esferas):

1 - Kether - Coroa - Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.

2 - Chokmah - Sabedoria - Ama a teu próximo como a ti mesmo.

3 - Binah - Compreensão - Ama os teus inimigos, faze o bem aos que te odeiam, bendize aos que te amaldiçoam e ora pelos que te difamam.

4 - Chesed - Misericórdia - Ao dares esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita.

5 - Geburah - Justiça - Não julgues para não seres julgado.

6 - Tiphereth - Esplendor - Ao acender uma lâmpada, não a coloques em lugar oculto, mas sobre o candeeiro, para que dê claridade a todos os que estão na casa.

7 - Netzach - Vitória - Não jogues pérolas aos porcos.

8 - Hod - Glória - Pede e receberás, procura e acharás, bate e a porta se abrirá.

9 - Yesod - Firmeza - Entra pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição.

10 - Malkuth - Reino - Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.

Giancarlo Salvagni

Obs: veja o livro "Jesus e a Cabala Mística"



Fique na Luz Divina !!!

*** CABALA E IDENTIDADE ***


A história e formação de nossa identidade não é algo simples e fácil de ser definida. Temos em essência quatro bases para a formação de nossa identidade, são elas:

A Identidade Cósmica:
Somos todos feitos daquelas partículas elementares que têm a idade do universo e daqueles materiais forjados há bilhões de anos no interior das grandes estrelas. A Torá nos identifica como tendo uma origem única e inevitável origem. Ela (a Torá) não inicia com a história do primeiro judeu e sim do primeiro homem, tornando-a não a história de um grupo e sim a história de todo o gênero humano, do universo e de tudo o que há. Temos por assim dizer (todos) uma mesma Identidade Cósmica.

A Identidade Terrestre:
Somos todos habitantes desta terra e teremos (todos) que conviver com ela. Fazemos (todos) parte do gênero humano, independente de etnia, religião, raça, cultura, educação, língua, sexo, etc. Temos por assim dizer uma mesma identidade humana, e por isso devemos preservar a natureza desta identidade e participar de ações que possam promover a paz e o bom convívio de todos os que pertencem a identidade do gênero humano.

A Identidade Cultural:
É aqui, e apenas aqui que residem às diferenças. O ser humano criou a cultura, realidade especificamente humana. Criou-a a partir de intervenções sobre si mesmo e sobre a natureza. Essas intervenções permitiram que criasse o habitat humano que o gregos, com justeza, chamava de ethos. Ethos, em grego - donde vem a palavra ética, é a morada humana. Quer dizer, aquele pedaço do mundo que escolhemos cuidadosamente, organizamos e nele construímos nossa habitação permanente. Este "lugar" é a nossa cultura, as bases se nossa identidade coletiva. Os cabalistas são pessoas que ao longo da história escolheram por perceber a realidade pela lente do metafísico e a interpretar a realidade manifesta à luz do Mundo Infinito. Cabalistas se organizaram em comunidades, escolas e círculos de estudos. Daí surge uma cultura coletiva, uma forma vivente, que sempre correu paralela a religião oficial (judaísmo institucional) e sempre, e eu repito, sempre foi alvo de críticas e controvérsias de mentes mais fechadas e fundamentalistas. Mais uma identidade cultural precisa ser mantida. Na Cabalá isso se dá pela transmissão de mestre para discípulo em uma linha contínua de sucessão passada por gerações. Temos que nos dar ao trabalho de manter a nossa identidade cultural por intermédio do trabalho.

O trabalho é o meio maior de forjamento da cultura. Pertence ao trabalho cultural a criação de linguagens, idéias, mitos, artes, organizações, etc. Como participante de uma identidade cultural cabalista (que me foi passada por meu mestre) a gerações e como herdeiro desta cultura devo me comprometer em mantê-la e preservá-la. Lutando por sua consolidação e por sua manutenção.

A Identidade Pessoal:
Essa é ainda mais e mais particular. Cada um possui um nome próprio, porque cada um representa um ponto onde termina e se compendia o processo evolutivo. Pelo fato de ser consciente, cada um faz uma síntese singular, única, irrepetível de tudo o que capta, sente, entende e ama. Com os materiais acumulados em sua alma (por inúmeras encarnações) e com aqueles recolhidos em seu consciente faz uma leitura e uma apreciação que só ele e ninguém mais pode fazer.

Aqui reside a experiência única de um indivíduo com a sua identidade pessoal e sobre tudo espiritual. Cada pessoa traz consigo seu deserto pessoal, seu êxodo e sua busca pela Terra Prometida - que é o melhor de nossas possibilidades. Se minha alma identifica que o melhor de minha possibilidade é ser uma cabalista, quem neste universo (que não o Eterno) pode ser o juiz de tal escolha?

Por isso cada pessoa humana representa um absoluto concreto. Ele é a ponta do iceberg para onde convergem todas as linhas ascendentes da evolução. Cada um está no topo. Em razão disso se entende a dignidade humana. Mas tal afirmação não deve levar a pessoa à arrogância, imaginando-se o centro do universo. A ponta do iceberg não está isolada. Está unida a todo o iceberg, com a intricada teia de interdependências.

Para formar uma identidade é necessário ter a resposta para cada um desses quatro pilares e renunciar a qualquer arrogância ou pretensão de privilégio ou de domínio.

Cabalá e Identidade

Agora devemos refletir um pouco mais sobre o que vem a ser a Cabalá como identidade. Para isso devemos compreender - o que é um cabalista?

A palavra Cabalá significa recebimento. É a conhecimento espiritual que nos ensina o meio como reconstituímos o nosso receptor espiritual como outrora, no Gan Éden (Jardim do Éden), antes da queda de Adam.

Por intermédio do estudo, da dedicação ao aperfeiçoamento moral, de se buscar a Torá (lida e interpretada pela "lente" da Cabalá), através de meditações e aperfeiçoamento constante da sensibilidade espiritual, nos tornamos um cabalista.

E o que é ser um cabalista?

Em hebraico isso significa tornar-se um MEKUBAL, que nada mais é do que ser um receptor, um recipiente consciente. Assim que uma pessoa começa a fazer uso dos métodos e do sistema cabalista, você já se torna um receptor.

Para a Cabalá, tornar-se um receptor está diretamente ligado a um ato de contração, esvaziamento, submissão a Luz do Mundo Infinito. Se você está cheio, nada pode entrar, se você se esvazia de seu ego... passa a existir um espaço para algo entrar. Você começa a se tornar um receptor. Ao escolher a Cabalá como um caminho espiritual e um sistema de condução para a sua vida, você já começa a se tornar um cabalista, isso é um começo e não o fim da estrada. Todo cabalista é um eterno construtor de si mesmo, está sempre buscando o refinamento espiritual, o aprimoramento e o desenvolvimento de suas propriedades de alma. Desta forma, almejar chegar a consciência de sua neshamá (alma superior).

Não existe um cabalista pronto, completo, pois a Cabalá é um verbo. O verbo "receber" e não a idéia de ter já recebido. A cada momento há um aprimoramento, um desenvolvimento a ser alcançado.

O que vem a ser um CABALISTA? Um cabalista é alguém que se dispõe a receber a Luz do Mundo Infinito. Um cabalista é alguém ligado a uma escola, centro ou academia de Cabalá. Um cabalista é alguém submetido a um mestre (rav) do conhecimento. Um cabalista é alguém submetido aos ensinamentos da Torá, do Sêfer Yetzirá e do Bahir. (nas escolas de natureza teosóficas o Zohar).

Mais essencialmente existe duas grandes escolas do pensamento clássico da Cabalá. Existe a escola teosófica, a que a ortodoxia, por exemplo, está ligada e existe a escola contemplativa. Eu por exemplo estou ligado a escola contemplativa e sigo suas definições. Mas, as escolas tradicionais são unânimes em afirmar que a Cabalá só será útil se aprendermos a vivenciá-la e a trazê-la para nosso relacionamento cotidiano.

Você pergunta:
Quando o cabalista é completo?
Um pouco saber completa a cabalá?
Afinal, porque vc(s) é Cabalista, qual o teu propósito?

Eu respondo:
1) O cabalista nunca é completo, pois se assim o for deixará de receber a Luz do Mundo Infinito, um recipiente completo não se permite receber. O cabalista é um ser em constante busca de completude.
2) Um pouco saber faz de você um receptor, mais não "completa a cabalá" pois este conhecimento é constante e a cada ano desvenda-se mais e mais códigos que nos saltam diante dos olhos ao lermos e estudarmos a sagrada Torá e suas porções. Nada pode "completar" a Cabalá pois o conhecimento Divino é tão ilimitado quando o Ilimitado D'us, é tão infinito quanto o Infinito D'us.
3) Sou cabalista porque estou submetido aos conhecimentos espirituais da Cabalá. Sou cabalista porque coloco a Cabalá em minha vida cotidiana, Sou cabalista porque tive um mestre que me orientou no caminho, sou cabalista porque estou ligado as orientações de uma escola clássica do conhecimento, sou cabalista porque desejo preparar a cada dia o meu corpo, meu espírito e minha alma para receber cada vez mais a Luz do Mundo Infinito e me dispor a compartilhar as infinitas bênçãos que desejo receber para minha vida e para toda a humanidade. Sou cabalista pois tenho o propósito de levar todos os que estejam dispostos a receber a uma vida de bênçãos e de consciência.

Não pode existir um cabalista pronto, completo, terminado. O cabalista é tudo isso e ainda mais, pois é habitado por uma paixão insaciável que não encontra no universo nenhum objeto que lhe seja adequado e que o faça repousar. Ele está em movimento e identifica o repouso, o congelamento como o início da escravidão, do exílio e do mal. O cabalista é um projeto infinito.

É por isso que tenho orgulho de dizer: SIM, EU SOU CABALISTA!!!

Que a Luz do Mundo Infinito lhe ilumine em sua jornada.


*por Raziel Malach



Fique na Luz Divina !!!

*** CABALA NÂO É SÓ PARA JUDEUS ***


Meus queridos, a Cabalá é uma preciosidade garimpada em séculos de reflexão e experiências profundas e espirituais, que correu por fora das garras da intolerância e da arrogância prepotente dos fundamentalistas.


A Cabalá sempre partiu do princípio elementar de que, todo aquele que não caminha se desfaz.


Tentar uniformizar o Sagrado contradiz até mesmo a natureza do pensamento judaico. O judaísmo se baseia na estrutura central do mutável deserto.


Sendo assim, todo aquele que deseja ascender pela escada do auto-conhecimento, deve ir ao deserto, à intempérie, para começar de novo, para renascer no contato com a realidade que se vive de momento a momento. É preciso ir, libertar-se das idéias petrificadas, as torres de poder.


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O fundamentalismo é "mitzraim" (egípcio), é a estreiteza e o fechamento e Ivri (hebreu), é o que "vem do outro lado" e vai para o outro lado, e nunca termina de ir, nômade em busca da proximidade permanente com o Criador. O cabalista é um eterno viajante entre os mundos, físico e espiritual, procurando encontrar sempre um meio de enxergar a margem espiritual do mundo físico e a margem física do mundo espiritual.

No fundamentalismo religioso predomina o espaço estreito, a asfixia cômoda da repetição alienada, dos substantivos estáveis, calmos e seguros. Despretensiosos. Já os outros, os cabalistas são os transeuntes, os que vagam, caminham.

Cabalistas são pessoas que não dispõem de torres, nem de pirâmides de poder. Fanáticos religiosos querem erguer malditos muros. Monumentos aos próprios atributos. Esfinges de si mesmo. Torres. Ortodoxia de Babel.

Ser um cabalista é valorizar o momento, em detrimento do monumento. O fundamentalismo é a cultura das torres, das prisões de ferro, de cimento e de idéias.

O Sagrado não conhece rotinas seguras.

Esse é o perigo do fundamentalismo religioso e suas Torres de Certezas absolutas e para todos. E este é o mistério por trás da Torre de Babel. Ela (a Torre) quer que tudo esteja organizado, fechado, visível e SEGURO.

E muitas tolices podem ser cometidas em nome da segurança. Os construtores da Torre de Babel queriam a segurança. A Inquisição surgiu movida por fanáticos que queriam SEGURANÇA, o nazismo, maldito seja, também vendia um mundo mais "preservado", "seguro", "perfeito". Todas as grandes opressões políticas e sociais nasceram em nome de um suposto "estado de segurança". A segurança de uma só forma de pensar, um só discurso, uma só reação na mesma direção, tudo programado, organizado, um grande totalitarismo de idéias, afetos, emoções e devoções. Sem surpresas. Tijolos, Fixidez. Estabilidade. Assim os homens do conhecimento construíram a Torre de Babel, "cuja cabeça alcançava os céus". E negavam, com isso, toda a experiência particular de D'us.

A proposta dos pseudos-cabalistas é simples: Constrói-se uma "torre", liga-se céu e terra, e obtém-se um caminho fixo e imutável, e todos dormem apaziguados, e não precisam sonhar com escadas (como fez Yacov), e nem mesmo precisam sonhar. Todo o sonho e toda particularidade do encontro com o Sagrado deve ser proibido pelos senhores das torres.

Querem destruir D'us, o futuro, a aventura do movimento. Querem paralisar a história. Os deuses são eles, os "construtores" da moralidade religiosa.

Segurança e rotina conservadora. Era o primeiro paradigma de Mitzraim (Egito), o lugar fechado, a prisão.

E que será se poderia encontrar escondido por baixo e por dentro de tanta magnificência de tijolos, decoração, pedra, arquitetura deslumbrante.

Escravidão mental, soberba espiritual, prepotência arrogante.

E qual foi o pecado da Torre? O pecado não foi a "torre", o pecado não foi "babel", o pecado foi uma só língua. "E toda a terra era uma só língua" (Gênesis,11) Uma só língua, uma só expressão do sagrado pode ser algo muito perigoso.

Uma só língua não tolera outra língua, não tolera outra forma de pensar, não tolera o diferente, não tolera o outro.

E assim, perdendo-se o olhar para o outro, perde-se a contemplação, perde-se o Templo perde-se o tempo erguem-se as prisões e constroem-se as farsas.

O que sobra disso tudo?

Sobra a constante tentativa da ortodoxia fundamentalista, de fazer-se o único legítimo representante de tudo. Sobra palavras de ordem, sobra arrogância, sobra posturas "denunciatórias" sensacionalistas e vazias. Falta espiritualidade, argumentos inteligentes e sobretudo coerência.

Todos os que estejam com o coração e a mente aberta, são bem vindos a esta comunidade e são convidados a sentar em nossa "mesa". O resto, bem o resto que continue gritando.... bem de longe. Nós, cabalistas, reconhecemos todas as demais manifestações da espiritualidade, reconhecemos toda e qualquer interpretação que se possa levar ao Sagrado, mesmo que não venhamos a compactuar com estas visões.

Quanto aos desesperados, ao invés de discordar de nós, dizem que não existimos, deixam de ser rabinos, cabalistas, espiritualizados e entram para o rol dos que disputam poder e território. Como se isso realmente fosse possível.

Formam-se assim os velhos novos dormentes.

A Cabalá do Reconhecimento

15:14 Quando um estrangeiro (guer) residir convosco ou estiver entre vós em vossos ciclos, ele fará o fogo, odor agradável para Yihavehá. Ele fará como fizerdes.

15:15 Assembléia, mesma regra para vós e para o estrangeiro (guer) residente: regra de perenidade para vossos ciclos! Será assim para vós como para o estrangeiro (guer) em faces de Yihavehá.

15:16 Uma Torá e um julgamento serão para vós como para o estrangeiro (guer) que reside convosco"'.

Encontramos neste texto da Torá, na parashá Shelach, algumas informações importantes sobre o "guer". O "guer" é todo aquele que, mesmo não tendo nascido dentro da tradição, assim mesmo adere aos ensinamentos da Torá e Cabalá, guiando sua vida nos parâmetros da Sabedoria Espiritual.

É aquele que, estando perdido, procura as Verdades Objetivas do Mundo Espiritual e se prepara para RECONHECER a Unicidade da Luz do Mundo Infinito. Quando o "guer" passa a adotar a sabedoria espiritual da Torá, é como se a sua alma retrocedesse até o Monte Sinai, e lá, recebesse igualmente a Torá. A Torá, nos ensina a importância do "guer". E os textos místicos falam especialmente da importância do "guer", no advento da Era do Mashiach. Os antigos cabalista afirmaram que muitas almas da tradição, encarnariam entre as nações para difundir os ensinamentos da Torá a todos os povos.

É normal que uma pessoa tenha alguma profunda missão (tikun) dentro da Cabalá, mesmo tenho nascido fora da tradição. Sim, pois foi exatamente isso o que aconteceu com Avraham e outros grandes mestres de nossa tradição. Este é o significado da expressão:

"quando um guer residir convosco ou estiver entre vós em vossos ciclos (reencarnação)".

A palavra "guer" aparece no texto da Torá com o sentido de "estrangeiro". Sua raiz de significado "residir, habitar", transmite uma sensação de transitoriedade. "Moradores temporários vocês foram em Mitzraim" diz o texto da Torá, "vocês foram estrangeiros, vocês foram moradores temporários sentados sobre suas malas e vocês foram "conversos" em meio a outros".

Sendo assim, Rav Avraham Abuláfia nos ensinou que o conhecimento, a sabedoria da Cabalá Contemplativa é destino a toda a humanidade.

Mas o que é afinal a Cabalá?

O que é afinal a Torá?

Seriam os ensinamentos da tradição necessário a todos?

Para os cabalistas, o "guer" também representa um grau, um estágio transitório da alma dentro do mundo físico. Quando estamos confusos em relação ao nosso papel neste mundo, quando nos sentimos estranhos diante das leis de causa e efeito, somos como "estrangeiros" nesta dimensão. Para nos familiarizarmos com as leis que formam e governam o nosso mundo temos que ter acesso as chaves da Cabalá. Há um aspecto "guer" em cada um de nós, uma consciência estrangeira e repleta de dúvida em um mundo estranho e confuso. O "guer" também estaria ligado aos aspectos transitórios de nossas emoções, oscilando entre a certeza e a dúvida, criando um estado caótico de impermanência. Uma das maiores ignorâncias difundidas no meio religioso é a idéia de que a Torá e a Cabalá pertence apenas a um grupo específico e seleto de pessoas. Uma coisa importante é entender que a Cabalá antecede a qualquer religião ou teologia. Foi dada à humanidade pelo Criador, muito antes do surgimento das religiões. De acordo com os ensinamentos da Cabalá, o universo opera dentro de determinados princípios e regras. Quando aprendemos a compreender e agir de acordo com esses preceitos, geramos luz para nossas vidas e para toda a humanidade.

A Cabala nos dá o poder de compreender e viver em harmonia com essas leis - para usá-las para benefício nosso e do mundo e para nos remover da ignorância e desta forma não nos sentirmos mais como estrangeiros nesta dimensão.

A Cabala é um métodos práticos para realizar metas valorosas dentro dessa realidade. De forma simples, a Cabalá lhe proporciona as ferramentas que você precisa para trazer a Luz do Criador para sua vida.

E quanto a Torá?

Com que propriedade podemos afirmar que a Torá é um legado para toda a humanidade?

Rav Shimon bar Yochai, o autor do Zohar, dizia que em sua própria geração havia grandes escritores seriam capazes de compor histórias bem mais interessantes do que os relatos que aparecem na Torá. E ainda por cima, ele classificou todos esses rabinos, estudiosos e filósofos que tomam a Torá literalmente como inteiramente tolos. A Torá não é um rolo sagrado que tenta definir a moral e a ética adequadas pelos quais o ser humano deveria viver. Esta talvez seja uma das concepções mais equivocadas da religião - um equívoco que contribuiu para milhares de anos de sofrimento, perseguição e pré-conceito. O fato é que devemos "fazer o fogo" - como nos ensina a parashá e iluminar a nossa visão. Não a visão física e sim a visão da alma. O "fogo" mencionado na Torá é também uma palavra código para o corpo de conhecimento de Maassé Bereshit (Compreender a Obra da Criação). Maassé Bereshit nos abre a visão da alma. O olho como órgão físico está conectado com o nosso mundo físico do caos - conhecido em termos cabalísticos como a "Árvore do Conhecimento". A alma está conectada com uma realidade mais elevada com ordem e plenitude absolutas - conhecida pelo termo em código "Árvore da Vida." Somente a alma da Torá - a Cabala - pode nos apresentar a verdadeira compreensão e o verdadeiro significado espiritual do texto bíblico. A Torá funciona não apenas como um código formador do universo como também como um antídoto em relação ao caos que possa residir dentro do mundo físico.

Quando a Torá fala de matar, assassinar, roubar e de outras ações negativas, na realidade estamos recebendo uma vacinação para evitar que essas "doenças" recaiam sobre nossas vidas. A Torá é a vacina ou o antídoto, que nos protege e nos cura das forças negativas e destrutivas. Sem a Torá e a Cabalá, a vida se torna incerta, dúvida e "doença", o "guer" não se tornaria um "residente" da Sabedoria Espiritual.

E o que há de tão importante acerca da "dúvida"?

Segundo os cabalistas, a "dúvida" é a semente de todo o mal do mundo. Pois é um aspecto da alma que é incapaz de reconhecer a grandeza do Eterno em tudo o que se manifesta e existe. Todos nós temos, algum nível de dúvida.

Dúvida sobre nosso real potencial.
Dúvida sobre a existência da Luz do Mundo Infinito.
Dúvida sobre o nosso destino e sobre nossa capacidade de superar desafios.
Dúvida sobre a justiça.
Dúvida sobre as recompenses associadas ao comportamento positivo, espiritual.

Quando somos invadidos pela dúvida nos sentimos como estrangeiros no mundo físico. Para a Cabalá, Luz do Mundo Infinito está oculta, no mundo físico. Por isso, ficamos em dúvida acerca da Presença Divina. E é esta dúvida que permite o surgimento dos ataques (históricos) que os fundamentalistas religiosos fazem em relação aos cabalistas.

E é pela dúvida que não reconhecemos a grandeza do Eterno em tudo o que acontece ao nosso redor. Então, nos comportamos com intolerância. Colocamos a nós mesmos na frente dos outros. Duvidamos da existência do Criador e por isso nos sentimos confiantes de poder pessoal e das "verdades" subjetivas que criamos em nossa mente egocêntrica. Aceitamos bem com nosso comportamento insensível e nossa reatividade. Viramos as costas para a consciência espiritual e o desejo de transformação de caráter. Ficamos motivados unicamente pelo intelecto e pelo ego, e esquecidos de outros anseios que deixamos adormecidos em nossa alma. Quando estudamos a Torá e seus mistérios, por intermédio dos códigos da Cabalá, adquirimos a vacina contra a dúvida e o não-reconhecimento. Esta vacina é o "odor agradável para Yihavehá" como mencionado na Torá. Sem o conhecimento espiritual que decifra a história, a Torá se torna inoperante. Ela se torna um símbolo improdutivo, em vez de ser um instrumento incrível de poder.

Ainda pior...

Ainda pior, os sábios nos dizem que se alguém simplesmente aceita a Torá literalmente - lendo-a com uma postura mental religiosa ao invés de se conectar com ela num nível espiritual - a Torá se tornará um veneno.

A Cabalá nos ensina que todas as pessoas nesse mundo são pessoas comuns, não há nenhum tipo de "eleição" prévia sobre qualquer pessoa. Entendemos que existem três estágios essenciais da alma: o "gói" é aquele que se encontra "escravo" de suas emoções e aprisionado em suas "verdades" (mentiras) subjetivas, ignorante da Sabedoria Espiritual, o "goi" é completamente dominado pela energia negativa de Nachash. Há ainda o "guer", que é aquele que transita no meio da verdade mais por ser "estrangeiro" e sujeito aos aspectos transitórios das emoções se perde e não reconhece a unicidade e os movimentos da Luz do Mundo Infinito.

O objetivo final da alma é tornar-se um yehudi (palavra se foi posteriormente transliterada como "judeu"). Um dos maiores equívocos da história foi a conclusão de que o judaísmo seja algo transmitido por uma hereditariedade fechada. Yehudi, como tudo dentro da Sabedoria Espiritual é um estado de consciência, onde reconhecemos a natureza fundamental de nossa alma. Quando entramos dentro de nós mesmos e descobrimos a unicidade e a permanência da Luz do Mundo Infinito.

Avraham foi o primeiro yehudi

Avraham foi o primeiro yehudi.

E como alcançou este estagio espiritual?

Por que era filho de mãe judia?

Por que foi convertido dentro dos moldes da ortodoxia?

É claro que não.

A formula encontrada na Torá é bem clara: "vai para dentro de ti, de tua terra, de teu nascimento, da casa de teus pais, rumo à terra que te farei ver".

Essa é forma como o primeiro "guer" tornou-se um "yehudi".

Inicia-se por um mergulho interno, um "vai para dentro de ti" mesmo e descobre o que encontra lá dentro de sua alma.

Sendo assim, o chamando não é para uma religião e sim para um auto-conhecimento, independente de ancestralidade e origem pois o essencial é a experiência interna do encontro, mesmo que para isso seja necessário "partir de tua terra, de teu nascimento" e até mesmo "da casa de teus pais". A Luz indica que Avraham deve seguir a "terra que te farei ver". Quem faz ver (reconhecer) a terra (tradição) é a Luz e nada mais.

Tornar-se yehudi é então um ato de "ver", de reconhecer, muito mais do que ser visto ou ser reconhecido. Não ser "reconhecido" o equipara historicamente aos nossos ancestrais. Os romanos não nos "reconheciam" como parte de um propósito Divino. A inquisição não nos reconheciam como iguais em alma e espírito. A Alemanha nazista não nos reconhecia como gênero humano. Yosef não foi reconhecido pelos irmãos. Por isso, aprendemos, na Cabalá, que o gesto, de não reconhecer está diretamente ligado a uma limitação de alma que não o permite identificar o sagrado habitando dentro da legitimidade do outro. Cegos, ao não reconhecer o fundamentalista se liga aos exemplos mais torpes da história.

Mais de onde deriva o termo "yehudi" (judeu)?

Encontramos sua origem na própria Torá em referência à matriarca Leá quando foi dar o nome de seu filho Yehudá, "Desta vez eu reconhecerei a D'us" (Bereshit 29:35).

O nome "yehudi" deriva de Yehudá e possui sua raiz etimológica na palavra "hoda'á" que significa "reconhecer", "identificar". Tudo profundamente conectado aos mistérios da sefirá Hod, na Árvore da Vida.

Hod contem o atributo do reconhecimento, "aquele que reconhece" e por isso está ligado ao Eterno. No campo fisiológico, segundo os sábios da Cabalá Contemplativa ao atributo da defesa imunológica, capaz de reconhecer (no corpo) o que é negativo evitando desta forma a doença. Reconhecer e identificar a Luz do Mundo Infinito é o meio de ser yehudi.

contrário, que seria o não-reconhecimento, é ligado a falta de refinamento (virtude de Hod), e em última instância, a doença da alma.

Os verdadeiros cabalistas são aqueles que deixam de ser escravos (goi), saem da transitoriedade, incerteza e não reconhecimento do estrangeiro (guer) e aprende a reconhecer a Presença Divina dentro do mundo físico.

Não há diferença alguma entre um judeu e um não-judeu, além da centelha do Criador que se encontra dentro do verdadeiro "yehudi" (o reconhecedor) que percebe a verdade e a Luz do Mundo Infinito dentro do mundo físico e dentro do outro.

Isso significa que se essa centelha existe na consciência de uma pessoa, essa pessoa é chamada yehudi. Se essa centelha desaparece mesmo o yehudi torna-se um "guer", ou mesmo um "goi", escravo de seus condicionamentos robóticos e alienado de consciência.


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" A FARSA DA CABALA CARTA HUMANISTA "
Ortodoxia de Babel

Criei esse tópico para denunciar a ação de alguns fanáticos religiosos que andam tentando criar uma inquisição, que tal qual a outra, de "santa" nada tinha.

O que há, na verdade, por trás disso tudo?

Devo iniciar por uma grande reflexão presente dentro da história da Torre de Babel. Um dos fatores mais impressionantes que compõem a história da Torre é o fato de que a mesma foi construída por ilustres eruditos de seu tempo. Inovadores do sagrado, homens que tentaram, movidos pela arrogância, re-inventar a roda do sagrado e tomar para si, o que pertence ao Julgamento Divino. O mesmo ocorre aqui no mundo virtual. Impelidos pela arrogância e pelo despropósito, alguns (poucos) fundamentalistas ortodoxos promovem uma verdadeira onda de ódio e ataques infundados aos representantes desta milenar tradição. São, na grande maioria ignorantes travestidos de "eruditos", com retóricas prolixas e previsíveis. Fruto de uma competitividade estúpida e nada espiritual.

Só posso entender isso como um espasmo de desespero de identidade. Identidade essa que só se sente dentro de seu propósito quando nomeia um "inimigo" fantasioso, quando aponta hereges imaginários e cruzadas enlouquecidas. Sinto pena de seus mundinhos acinzentados e estreitos, tal qual suas mentes.

Tudo é possível em nome de tanta estupidez, ameaças anônimas, mentiras primárias e infantis, entre todo o tipo pífio de manipulação.

Mais não seria a ortodoxia fundamentalista, uma digna mantenedora das antigas tradições?

Não. A ortodoxia é um produto do mundo moderno, e como toda NOVA manifestação soa muitas vezes tão destemperada quanto alguns movimentos reformistas. Esses que tentam, em vão, se apoderar da Cabalá, são fanáticos desesperados cujo único potencial congregador se dá pela unidade do ódio gratuito.

Ortodoxos são os donos de tudo, de D'us, da Torá, da experiência pessoal do sagrado, de Israel, das conversões e AGORA, até mesmo da Cabalá. Essa é a ilusão que os nutre. Saibam todos, que existem grandes escolas de Cabalá dispostas a ensinar os fundamentos desta preciosa tradição a todos os que estejam dispostos a aprender e beber de sua fonte.

Justo a Cabalá, que sempre foi o pensamento "marginal" da religião oficial e que ao longo da história sempre teve como maior obstáculo a própria ortodoxia fundamentalista. Moisés não era ortodoxo. Rav Shimon Bar Yochai não era ortodoxo. Tão pouco o foi, Nehuniá Ben HaKaná, Baruch Togarmi, Avraham Abuláfia, Itzchack Luria, Moshé Chaim Luzatto e Baal Shem Tov. Todos, todos foram perseguidos e massacrados pelo fundamentalismo, intransigente, incoerente e incompetente de seus tempos.

O que dizer das perseguições sofridas por Rav Avraham Abuláfia, no século XIII? De onde vinham os ataques? Vinham de fanáticos fundamentalistas de seu tempo. O que Abuláfia, com muita propriedade chamou de "os dormentes".

Fundamentalistas se apoderam de uma profunda incoerência e discursos pré-formados, retórica implacável e erudição exemplar dos que constroem "torres" de idéias. Idéias cuja única ganância é destruir o que é diferente.

Lhe dirão que este e aquele movimento espiritual não são "legítimos" por causa da HALACHÁ (Código de Leis Judaica).

O que eles não explicam, talvez por que não saibam é que "halachá", literalmente significa "forma caminhante". E é no momento desta "caminhada" que se pode ver a incoerência absurda dos fundamentalistas pois os mesmo não se movem nunca.

Quando a opinião do diferente é descartada, quando há indiferença e se busca desqualificar a experiência sagrada do outro (dos outros), criamos um mundo onde torna improvável a convivência lúcida e equilibrada. Surge neste instante a pobreza espiritual desastrosa, danosa e muitas vezes criminosa.

Mais o que é então esta onda de ataques que surgem dentro deste universo virtual? Trata-se de uma guerra ideológica e de interesses toscos. Há claramente um grande medo e uma enorme insegurança por parte de grupos radicais, cada vez mais impopulares em suas tentativas de angariar "fiéis" mantenedores.

E na onda desses medos conspiratórios a estupidez ganha forma, talit e "aromas" diversos.


*Raziel Malach - postado no orkut comunidade "Cabala, Kabbalah"



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